Conheça a história de Nininha, uma pomba resgatada que, mesmo livre para voar, sempre retorna para a família que a salvou. Entenda o laço que une a ave.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 25 de agosto de 2026. Livre para voar para qualquer lugar, a pomba Nininha sempre escolhe o mesmo destino: a casa da família que a salvou de um gato quando ainda era um filhote indefeso. A história, que demonstra um forte laço de gratidão e afeto, viralizou e reforça o debate sobre a inteligência e a lealdade dessas aves.
A história de Nininha começou quando a mãe de seu tutor a encontrou na rua, prestes a ser atacada por um gato. Segundo o relato da família, a intervenção foi crucial e salvou a vida da pequena ave por uma questão de segundos. Após o resgate, a família cuidou da pomba, tratando seus ferimentos, mas com a intenção de devolvê-la à natureza, sem nunca cortar suas asas, conforme noticiado pelo portal Amo Meu Pet.
Quando Nininha se fortaleceu, a família permitiu que ela voasse livremente. A ave passou um tempo fora, mas para a surpresa de todos, retornou, estabelecendo a casa como seu porto seguro.
A conexão entre Nininha e seus salvadores se tornou tão forte que a pomba atende pelo nome. Em um vídeo que emocionou internautas, o tutor pergunta: "Cadê a minha Nininha? Cadê o meu amor?". A ave, que estava pousada em um fio, ouve o chamado e voa diretamente para o braço dele. "Ela pode voar para qualquer lugar, mas escolheu a nossa família", diz a descrição em um perfil dedicado à ave, destacando a escolha consciente do animal.
A família chama a ave de Nininha, mas seguidores levantaram a possibilidade de ser um macho. A pomba é da espécie asa-branca (Patagioenas picazuro), na qual o macho costuma emitir um canto com quatro sílabas, enquanto a fêmea emite três. Em uma gravação, Nininha vocaliza quatro vezes, o que sugere que possa ser um macho. No entanto, apenas um exame de sexagem poderia confirmar a informação, já que outros comportamentos, como construir ninhos, são realizados por ambos os sexos na espécie.
Sim, a história de Nininha não é um caso isolado. Relatos como o da pomba Trigger, que voltou para a casa das irmãs que a criaram horas após ser solta, e de Barnabé, que vive na casa de seus tutores por escolha própria, mostram que pombos podem criar fortes laços e retornar aos locais onde se sentem seguros e amados.
Sim. Embora não seja convencional, pombos podem se tornar parte da família. Um caso que viralizou foi o de Plínio, uma pomba que vive com sua tutora há nove anos em São Paulo e apareceu até em um anúncio de imóvel. Após ser resgatada, Plínio foi tratada por veterinários e se tornou um pet saudável e dócil.
A ideia de que pombos são "ratos com asas" é um mito que gera preconceito. Especialistas afirmam que, embora as fezes possam conter fungos, o risco de transmissão de doenças para humanos é baixo e comparável ao de outros animais domésticos, como cães e gatos. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) aponta que a resistência natural dos humanos a essas doenças é elevada e que a convivência com pombos em grandes cidades europeias por séculos nunca resultou em surtos.
A história de Nininha é um poderoso lembrete de que pombos são aves inteligentes e capazes de criar laços profundos de afeto e lealdade. Ao escolher retornar para a família que a salvou, ela não apenas demonstrou gratidão, mas também ajudou a desafiar estigmas, revelando a sensibilidade de uma espécie muitas vezes incompreendida.
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