A Sony encerrará a produção de jogos em disco para PlayStation em 2028, gerando críticas de empresas sobre o fim da propriedade real e do mercado de usados. Entenda o impacto da decisão.
Olyvio Marques
Editor · Games · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Sony confirmou que encerrará a produção de jogos em mídia física para seus consoles a partir de janeiro de 2028, uma decisão que, embora justificada como uma adaptação às "preferências dos consumidores", gerou fortes críticas de outras empresas do setor, que alertam para o fim da posse real dos jogos e o controle total do mercado pela plataforma. Atualizado em 5 de julho de 2026.
Em um comunicado oficial, a Sony Interactive Entertainment anunciou que todos os novos títulos lançados para PlayStation a partir de janeiro de 2028 serão exclusivamente digitais, disponíveis na PlayStation Store ou através de códigos vendidos por varejistas parceiros. A empresa argumenta que a medida é uma "direção natural", já que a preferência por mídias digitais supera significativamente a dos discos físicos, segundo a companhia.
Essa mudança estrutural, no entanto, vai além da conveniência. O principal impacto para o consumidor é a perda da propriedade. Ao comprar um jogo digital, o usuário adquire uma licença de uso vinculada à sua conta, que não pode ser revendida, trocada ou emprestada, eliminando o mercado de segunda mão, uma via importante para muitos jogadores acessarem títulos com preços mais baixos.
A decisão da Sony não foi bem recebida por diversas empresas que dependem ou valorizam o formato físico. A iam8bit, conhecida por suas edições de colecionador, criticou a medida, afirmando que os jogos físicos são vitais para a preservação, a propriedade e a escolha do consumidor. A GameFly, especializada em aluguel de jogos, também se manifestou contra a mudança, que impacta diretamente seu modelo de negócio.
Outros estúdios, como a Aeternum Game Studios, declararam que pretendem trabalhar com urgência para lançar seus jogos em formato físico antes do prazo final de 2028. A reação geral, conforme destacado por publicações da área, é que a Sony está removendo uma camada de liberdade do consumidor para consolidar um ecossistema fechado onde controla preços, distribuição e o acesso aos jogos.
Especialistas e defensores dos consumidores apontam para diversos riscos em um cenário sem mídia física. A questão da preservação é uma das mais graves: sem discos, a existência de um jogo depende inteiramente dos servidores da empresa, que podem ser desligados a qualquer momento.
A Sony deixará de produzir discos para todos os novos jogos lançados em seus consoles a partir de janeiro de 2028. Títulos lançados antes dessa data não serão afetados.
Não. A medida afeta apenas jogos inéditos com data de lançamento a partir de 2028. Seus discos atuais e os que forem lançados até o fim de 2027 continuarão funcionando normalmente.
Significa que você adquire uma licença de uso, não o produto em si. Essa licença está atrelada à sua conta e às regras da plataforma. Você não pode revender, emprestar ou trocar o jogo, e a empresa pode, em teoria, revogar seu acesso ao conteúdo.
O anúncio da Sony marca um ponto de virada para a indústria de consoles, acelerando uma transição para um futuro totalmente digital. Enquanto a conveniência é um benefício claro, as críticas de empresas e especialistas ressaltam as perdas significativas em termos de propriedade do consumidor, direitos, preservação cultural e a economia gerada pelo mercado de jogos usados. A decisão reforça um modelo de negócio onde a plataforma detém controle total sobre o conteúdo que o jogador "compra".
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