Agência avalia 13 notificações de lesão rara no nervo óptico em usuários de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Entenda o que é a doença e o que dizem as empresas.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu uma investigação para apurar a suspeita de ligação entre o uso de canetas emagrecedoras e 13 casos de uma doença rara que pode levar à cegueira súbita. Atualizado em 28 de setembro de 2026.
As notificações envolvem medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, indicados para o tratamento de diabetes e obesidade. A agência ressalta que os casos ainda são tratados como suspeitos e que a notificação não comprova uma relação de causa e efeito.
A condição investigada é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA). De acordo com as fontes, a doença funciona como um "infarto" no nervo óptico, a estrutura que conecta o olho ao cérebro. Ela ocorre quando pequenos vasos sanguíneos que irrigam o nervo são obstruídos, causando a morte de células nervosas e uma perda súbita da visão, que pode ser permanente.
As 13 notificações recebidas pela Anvisa citam pacientes que utilizavam os seguintes medicamentos:
A agência esclarece que 12 dos casos estão ligados à semaglutida (princípio ativo do Ozempic, Wegovy e Rybelsus) e um à tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro). Desde junho de 2025, por determinação da Anvisa, a NOIA já consta na bula de medicamentos com semaglutida como uma reação adversa muito rara.
A Anvisa reforça que a investigação está em andamento e que a presença do medicamento e da doença na mesma notificação não é suficiente para estabelecer uma relação causal. O tema ganhou repercussão após pacientes nos Estados Unidos processarem a farmacêutica Novo Nordisk por riscos semelhantes, conforme reportagem do The Wall Street Journal.
Especialistas ouvidos pelo g1, como o oftalmologista Rubens Belfort Neto, afirmam que pacientes com indicação médica para tratar obesidade ou diabetes continuam tendo mais benefícios do que riscos. "Todo remédio tem pequenos riscos e o benefício tem que ser maior do que o risco. Então, se alguém vai tomar esse remédio sem necessidade, só por vaidade, talvez não deva tomar", alertou o médico.
Não. Até o momento, a relação não é comprovada. A Anvisa trata os 13 relatos como casos suspeitos e a investigação busca determinar se há ou não uma ligação de causa e efeito entre os medicamentos e a neuropatia óptica.
A Novo Nordisk, fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou em nota que análises de seus ensaios clínicos não demonstraram aumento na incidência de NOIA em participantes que receberam semaglutida. A Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, declarou que monitora ativamente os dados de segurança de seus produtos, incluindo questões oftalmológicas.
Especialistas e sociedades médicas recomendam que pacientes com indicação clara para o tratamento de diabetes ou obesidade não suspendam o uso por conta própria. A orientação é manter o acompanhamento médico e discutir quaisquer preocupações. O alerta principal é contra o uso indiscriminado e sem prescrição para fins estéticos.
A investigação da Anvisa sobre a possível ligação entre canetas emagrecedoras e casos de cegueira súbita está em fase inicial. Embora a agência e especialistas peçam cautela, o episódio reforça a importância de utilizar esses medicamentos apenas com prescrição e acompanhamento médico rigoroso, evitando o uso para fins puramente estéticos.
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