Com a chegada do frio, o risco de complicações nos pés de quem tem diabetes aumenta. Saiba como a inspeção diária e a escolha do calçado certo previnem feridas.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 21 de junho de 2027. Com a chegada do inverno, o uso de sapatos fechados e meias grossas se torna rotina. Para pessoas com diabetes, essa mudança exige atenção redobrada com a saúde dos pés, uma vez que a combinação de menor ventilação e a possível perda de sensibilidade (neuropatia) aumenta o risco de lesões que podem passar despercebidas e evoluir para complicações graves, como o pé diabético.
O pé diabético é uma complicação séria decorrente do diabetes não controlado, que pode levar a infecções e, em casos extremos, amputações. No inverno, os riscos são potencializados. O uso constante de calçados fechados pode criar um ambiente úmido, propício a micoses como frieiras, e esconder pequenas feridas causadas por costuras ou objetos, conforme alerta o Ministério da Saúde. Como a neuropatia diabética causa a perda de sensibilidade, uma pessoa pode não sentir uma pedra no sapato ou uma bolha se formando, o que pode dar origem a uma úlcera.
A prevenção é a principal ferramenta contra as complicações do pé diabético. Adotar uma rotina de autocuidado, recomendada por entidades como a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é fundamental durante todo o ano, mas especialmente no inverno.
Examine seus pés todos os dias em um local bem iluminado. Procure por frieiras, cortes, calos, rachaduras, bolhas, feridas ou qualquer alteração na cor da pele. De acordo com o Ministério da Saúde, se não conseguir visualizar a planta dos pés, use um espelho ou peça ajuda a alguém.
Lave os pés diariamente com água morna, nunca quente, para evitar queimaduras. Seque-os com uma toalha macia, com atenção especial entre os dedos para evitar a maceração da pele. Aplique um creme hidratante para prevenir o ressecamento e rachaduras, mas evite passar o produto entre os dedos.
As unhas devem ser cortadas em formato quadrado, com as laterais levemente arredondadas, utilizando um alicate apropriado ou tesoura de ponta arredondada. O Ministério da Saúde orienta a não retirar as cutículas e a não cortar ou lixar calos em casa. O ideal é procurar um profissional treinado, como um podólogo, e informá-lo sobre sua condição.
A escolha do que vestir nos pés é crucial. As meias devem ser de algodão ou lã, sem costuras, para não causar atrito. É recomendado evitar tecidos sintéticos. Calçados inadequados são a principal causa externa de ulcerações. Opte por sapatos fechados, macios, confortáveis, de couro ou tecido, com solado rígido e bico largo. Antes de calçar, inspecione o interior para verificar se não há objetos ou dobras que possam machucar.
Manter os pés sempre protegidos é uma regra de ouro, inclusive dentro de casa, na praia ou na piscina. Andar descalço aumenta exponencialmente o risco de cortes, perfurações e queimaduras que podem não ser sentidos devido à neuropatia.
Não. A recomendação é dar preferência a meias de algodão ou lã, sem costuras e, se possível, de cores claras, que ajudam a identificar rapidamente qualquer sangramento. Tecidos sintéticos como o nylon devem ser evitados, pois dificultam a transpiração e podem aumentar a umidade.
A hidratação deve ser feita diariamente, aplicando um creme específico para os pés em toda a sua superfície, exceto entre os dedos. Manter a pele hidratada é essencial para evitar fissuras e rachaduras, que são portas de entrada para infecções.
Não. Pessoas com diabetes, especialmente aquelas com perda de sensibilidade, nunca devem usar fontes de calor direto como bolsas de água quente ou escalda-pés. O risco de causar queimaduras graves sem perceber é muito alto. Para aquecer os pés, a melhor opção são meias de lã e calçados apropriados.
O inverno não precisa ser um vilão para a saúde dos pés de quem tem diabetes. Com uma rotina simples e consistente de inspeção, higiene, hidratação e, principalmente, com a escolha correta de meias e sapatos, é possível atravessar a estação com segurança e prevenir complicações sérias. Em caso de qualquer lesão ou alteração, procure auxílio médico imediatamente.
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