Nobel de Química Venki Ramakrishnan aponta limite de 120 anos para a vida e critica busca pela imortalidade. Saiba por que estilo de vida supera remédios.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O biólogo molecular Venki Ramakrishnan, vencedor do Prêmio Nobel de Química em 2009, afirma que prolongar a vida humana para além do limite natural de 120 anos será "extremamente difícil". Em seu novo livro, "Why We Die", o cientista argumenta que, em vez de buscar curas milagrosas, a chave para uma vida longa e saudável está em práticas básicas como alimentação, sono e exercícios. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Ramakrishnan é cético quanto à possibilidade de expandir indefinidamente a existência humana. Ele aponta que, embora o número de pessoas que chegam aos 100 anos tenha crescido, o mesmo não ocorre com os supercentenários, aqueles com mais de 110 anos, cujo número permanece estável. Essa observação, baseada em estudos como o do cientista Tom Perls, sugere que enfrentamos limites biológicos naturais.
Segundo o biólogo, mesmo que a ciência conseguisse eliminar doenças como o câncer, o aumento na expectativa média de vida seria de apenas alguns anos. Para superar largamente o recorde de 120 anos, seria necessário alterar a própria biologia do envelhecimento, um desafio considerado multifatorial e complexo.
Não, na visão de Ramakrishnan. Ele defende que o envelhecimento não é uma condição anormal, pois ocorre com todos e faz parte do ciclo da vida. Em entrevista, ele explicou que muitas das principais enfermidades, como câncer e demência, estão relacionadas à idade, mas envelhecer não significa necessariamente desenvolvê-las. A Organização Mundial da Saúde (OMS) compartilha dessa posição, não classificando a velhice como doença.
O cientista critica a pressão para que o envelhecimento seja considerado uma doença, argumentando que o principal interesse por trás dessa abordagem é facilitar ensaios clínicos com novas drogas, um mercado que movimenta grandes investimentos.
Para Venki Ramakrishnan, a fórmula para uma vida mais longa e saudável é mais simples do que as promessas da indústria anti-idade. Ele afirma que "comer bem, dormir bem e fazer exercício são atualmente mais eficazes do que qualquer medicamento antienvelhecimento existente no mercado".
O Nobel também se mostra cético em relação a terapias experimentais como transfusões de sangue de jovens para idosos e criopreservação, considerando-as incipientes ou sem comprovação científica sólida.
De uma perspectiva evolutiva, a seleção natural se preocupa em garantir que os genes sejam transmitidos. Após a fase reprodutiva, a evolução "não se importa com o que acontecerá" com o indivíduo. Biologicamente, a morte ocorre quando o organismo perde a capacidade de funcionar de forma coerente como um todo, mesmo que muitas células ainda estejam vivas.
O livro se chama "Why We Die: The New Science of Aging and the Quest for Immortality" (em tradução livre, "Por que Morremos: A Nova Ciência do Envelhecimento e a Busca pela Imortalidade").
Ramakrishnan levanta preocupações sobre as consequências sociais de uma longevidade extrema. Ele aponta que tratamentos sofisticados poderiam aprofundar a desigualdade social, beneficiando apenas os mais ricos, e que a falta de renovação geracional poderia levar a uma estagnação de ideias na sociedade.
A visão de Venki Ramakrishnan oferece um contraponto sóbrio à euforia em torno da imortalidade. O Nobel de Química reforça que, embora a ciência avance, existe um limite biológico para a vida humana. Em vez de esperar por uma solução mágica, a melhor estratégia continua sendo a adoção de um estilo de vida saudável, baseado em alimentação equilibrada, sono de qualidade e exercícios físicos regulares.
A tendência 'cara de ferritina' viralizou, mas médicos alertam: sinais como olheiras e palidez não diagnosticam a falta de ferro. Entenda os sintomas reais e a importância do exame de sangue.
Com o aumento das temperaturas e chuvas, a Sesa orienta sobre a maior circulação de escorpiões e aranhas. Saiba como prevenir acidentes e o que fazer em caso de picada.
Aos 115 anos, a pernambucana Beatriz Ferreira Duarte tem uma saúde impressionante, não usa remédios e correu até os 104. Saiba os segredos de sua longevidade.
Estudo da USP revela que fibras de pitanga e cambuci reduziram em até 90% a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório. Entenda os resultados preliminares e os próximos passos da pesquisa.