Especialistas indicam quais documentos solicitar e exames que podem identificar materiais permanentes, como o PMMA, em procedimentos antigos.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A recente descoberta de materiais permanentes no nariz de pacientes que realizaram rinoplastias há anos acendeu um alerta. Muitas pessoas não sabem exatamente quais substâncias foram aplicadas em seus rostos, o que pode gerar preocupação sobre possíveis complicações futuras. O caso da jornalista Ju Massaoka, que encontrou polimetilmetacrilato (PMMA) em seu nariz durante uma nova cirurgia, ilustra a importância de investigar o histórico de procedimentos estéticos.
O polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, é um exemplo de material permanente. Segundo o otorrinolaringologista Edvaldo Reis, trata-se de "um material permanente composto por microesferas sintéticas que ficam indefinidamente no organismo". Embora tenha indicações médicas restritas, seu uso estético no nariz é contraindicado por especialistas.
O primeiro passo para quem tem dúvidas é tentar recuperar a documentação do procedimento. Especialistas recomendam solicitar ao médico, clínica ou hospital os seguintes itens:
A dermatologista Rafaella D’Albuquerque destaca que a etiqueta do produto é o documento mais importante, pois informa o nome comercial, fabricante, lote, composição e o registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Quando o prontuário não está disponível, exames de imagem podem ajudar. A ultrassonografia de alta frequência, a ressonância magnética e a tomografia computadorizada são capazes de identificar a presença de materiais estranhos, áreas de fibrose e inflamação. Contudo, Edvaldo Reis alerta que nem sempre é possível determinar com precisão absoluta qual substância foi aplicada apenas pelos exames.
Complicações podem surgir anos após a aplicação. Fique atento a sintomas como dor persistente, vermelhidão recorrente, aumento de volume, endurecimento da região, alteração na cor da pele, saída de secreção ou dificuldade respiratória. O uso de PMMA fora das indicações previstas pode causar nódulos, rejeições, deformidades e até necrose da pele.
A identificação de um material permanente não significa que a remoção cirúrgica é obrigatória. A decisão deve ser individualizada. Em pacientes sem sintomas, inflamação ou deformidades, uma conduta conservadora de acompanhamento pode ser mais segura. A cirurgia de remoção é indicada em casos de infecção, dor, comprometimento estético progressivo ou risco funcional. No entanto, o procedimento é delicado, pois, como afirma Reis, "em muitos casos não é possível remover 100% do material com segurança", devido à sua infiltração nos tecidos.
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