Descubra o segredo da Chrysopelea, a cobra que "voa" ao achatar o corpo e ondular no ar. Entenda como ela plana por até 100 metros entre árvores.
Olyvio Marques
Editor · Animais · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cobra voadora, do gênero Chrysopelea, consegue planar pelo ar sem possuir asas ao achatar seu corpo para criar uma superfície aerodinâmica e usar movimentos ondulatórios para se estabilizar durante o "voo". Atualizado em 22 de junho de 2026, este fenômeno não é um voo verdadeiro, mas uma queda controlada e sofisticada que permite ao animal atravessar dezenas de metros entre as árvores.
O segredo da serpente planadora está em sua capacidade de transformar a própria estrutura corporal. Ao saltar de um galho alto, a cobra achata suas costelas e amplia a superfície do corpo, mudando de um formato arredondado para uma estrutura côncava, semelhante a um triângulo, que funciona como uma asa improvisada. Essa mudança aumenta a sustentação no ar e reduz a velocidade da queda, permitindo que o ar passe por baixo dela de forma mais aerodinâmica, conforme detalhado em estudos sobre a espécie Chrysopelea paradisi.
Essa habilidade é usada para diversas finalidades, como fugir de predadores, caçar presas ou simplesmente se deslocar com eficiência pela densa floresta tropical, seu habitat natural.
Pesquisadores do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech) descobriram que o movimento ondulatório que a cobra faz no ar não é apenas um instinto remanescente da locomoção no solo. Segundo um estudo publicado na revista Nature Physics, essa ondulação é essencial para manter a estabilidade durante o planeio, impedindo que a serpente tombe no ar. Enquanto outros animais ondulam para propulsão, a cobra voadora usa o movimento para se manter estável e controlar a direção do seu trajeto.
As cobras do gênero Chrysopelea, também conhecidas como "serpentes da árvore do paraíso", são nativas das florestas do Sul e Sudeste da Ásia. Elas são animais arborícolas, passando a maior parte de suas vidas no topo das árvores, que servem como plataforma de lançamento para seus voos.
Em um único salto, essas serpentes podem percorrer distâncias que chegam a 100 metros e atingir velocidades de até 40 quilômetros por hora enquanto planam. Sua dieta consiste principalmente em pequenos animais como lagartos, aves e roedores.
Apesar do nome e da aparência impressionante, a cobra voadora não representa uma grande ameaça para os seres humanos. A maioria das espécies possui um veneno de baixa toxicidade, usado para subjugar pequenas presas, e não causa problemas graves em pessoas. Além disso, são cobras tímidas que preferem fugir a atacar.
A distância de um planeio pode variar. Existem registros de cobras do gênero Chrysopelea que alcançaram até 100 metros em um único salto. Outros estudos e observações documentaram voos de 24 a 30 metros, dependendo da altura do ponto de partida e das condições do ambiente.
As cobras voadoras habitam as florestas tropicais do Sul e Sudeste da Ásia. Elas são perfeitamente adaptadas à vida nas árvores, onde sua habilidade de planar é uma vantagem evolutiva significativa para a sobrevivência.
A capacidade da cobra voadora de planar é um exemplo notável de adaptação evolutiva. Sem asas, ela domina os céus da floresta usando uma combinação de força, flexibilidade e física, transformando seu corpo em uma estrutura aerodinâmica para viajar entre as árvores. A pesquisa sobre seu "voo" não apenas desvenda um mistério da natureza, mas também inspira inovações em áreas como a robótica de busca e salvamento.
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