Um cirurgião-dentista de Xangri-lá (RS) conseguiu o que parecia impossível: a amizade de uma família de quero-queros. Entenda como ele se aproximou do filhote.
Olyvio Marques
Editor · Animais · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um cirurgião-dentista de Xangri-lá, no Rio Grande do Sul, protagonizou uma cena rara que encantou a internet: ele conquistou a confiança de uma família de quero-queros, aves conhecidas por seu forte instinto protetor, e conseguiu se aproximar de um filhote. Atualizado em 11 de outubro de 2026.
Ricardo Lopes, que é dentista, cultiva o hábito de observar as aves do condomínio onde mora todas as manhãs, por volta das 7h30, antes de ir para o trabalho. Com paciência e respeito, ele criou um laço especial com os animais, que passaram a aceitar sua presença sem se sentirem ameaçados, conforme relatado pelo portal Amo Meu Pet.
O quero-quero (Vanellus chilensis) é famoso por seu comportamento territorialista e vigilante. Considerado a ave-símbolo do Rio Grande do Sul, ele defende seu território, especialmente ninhos e filhotes, com grande ferocidade. Para afastar intrusos, emite gritos de alerta e realiza voos rasantes, exibindo os esporões de 1 centímetro que possui nas asas como arma de defesa, segundo informações do WikiAves.
Diferente de muitas aves, os quero-queros constroem seus ninhos em pequenas depressões no chão, o que deixa os ovos e filhotes mais vulneráveis a predadores. Esse fator intensifica ainda mais o instinto protetor dos pais, que não hesitam em afugentar qualquer um que se aproxime, seja um animal ou uma pessoa.
A aproximação tranquila de Ricardo com a família de quero-queros, incluindo a permissão para observar um filhote de perto, é um exemplo clássico de habituação. Este fenômeno ocorre quando animais silvestres, após exposições repetidas a um estímulo que não representa perigo, deixam de reagir a ele de forma defensiva.
As aves provavelmente entenderam que a presença diária e calma do dentista não era uma ameaça. "Há uma paz diferente quando aprendemos a observar a natureza e ela retribui", comentou Ricardo em uma publicação que viralizou, ultrapassando 442 mil visualizações.
A história gerou centenas de comentários de internautas impressionados. "O único cara que é amigo de quero-quero que conheço kkk", brincou um usuário. Outro comentou: "Amizade com quero-quero com filhote? Agora tu deu aula, meu irmão". A reação geral destacou o quão incomum é a cena, reforçando o caráter especial da relação construída por Ricardo.
O quero-quero não é considerado perigoso, mas sim defensivo. Seu comportamento agressivo, como voos rasantes e gritos, é uma tática para intimidar e afugentar potenciais ameaças de seu ninho ou filhotes. O contato físico é raro; a intenção principal é a proteção da prole.
Ele nidifica diretamente no chão, em áreas abertas como campos, pastagens e gramados. Os ninhos são cavidades simples no solo, forradas com gravetos, o que os torna muito vulneráveis e justifica o comportamento vigilante dos pais.
Sua dieta é composta principalmente por insetos e outros pequenos invertebrados terrestres e aquáticos. É comum vê-los agitando a lama com as patas para encontrar alimento, conforme descrito pelo WikiAves.
A história de Ricardo Lopes e da família de quero-queros em Xangri-lá é um belo exemplo de como a convivência respeitosa e paciente pode quebrar barreiras no mundo animal. Sem gaiolas ou interferência, o dentista demonstrou que é possível admirar e criar laços com a vida selvagem, recebendo em troca momentos de pura confiança e encanto.
Dois filhotes de pomba caíram do ninho durante uma tempestade no Havaí. Um casal agiu rápido para salvá-los e, dias depois, foi recompensado. Saiba como eles fizeram.
Conheça a emocionante história de Lilica, a vira-lata caramelo que percorria 4 km toda noite em São Carlos (SP) para levar uma marmita a outros animais.
Conheça a história de Solovino, o cão que vivia na rua e, após ser adotado, assumiu a missão de proteger e guiar filhotes de tartaruga até o mar em Miramar.
Lana Lessa, que cuida dos animais há quase 20 anos, estava impedida de entrar em conjunto habitacional em demolição. Entenda a decisão e a multa por descumprimento.