Oceano Pacífico surpreende cientistas ao saltar de La Niña para um El Niño com anomalia recorde de +3,2°C em meses. Entenda a velocidade da mudança.
Olyvio Marques
Editor · Clima · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Oceano Pacífico Equatorial registrou uma transição sem precedentes em 2026, passando de um estado de La Niña para um El Niño de intensidade recorde em apenas quatro meses, um fenômeno que surpreendeu a comunidade científica. Atualizado em 8 de outubro de 2026.
No início do ano, a região Niño 3.4, principal referência para monitoramento, apresentava uma anomalia de -0,7°C, característica de La Niña. Agora, a mesma área registra um aquecimento de +3,2°C, um valor jamais observado nos tempos modernos, segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) analisados pela MetSul Meteorologia.
A velocidade da mudança é o que mais chama a atenção dos especialistas. As condições de La Niña desapareceram em fevereiro, e a fase de neutralidade durou pouco. A partir de abril, o aquecimento se acelerou, e em 11 de junho a NOAA declarou oficialmente o El Niño. A evolução foi tão rápida que, já na primeira semana de julho, a anomalia na Região Niño 3.4 superou os +2,0°C, patamar associado a eventos de "Super El Niño".
Para efeito de comparação, em eventos históricos de grande intensidade, esse nível de aquecimento foi atingido muito mais tarde:
A transformação foi ainda mais drástica na costa do Peru e do Equador, na chamada Região Niño 1+2, que saltou de uma anomalia de -0,2°C para impressionantes +5,3°C.
A alternância entre El Niño e La Niña faz parte do ciclo natural conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENSO). No entanto, a velocidade e a intensidade da transição de 2026 reacenderam o debate sobre o papel do aquecimento global. Estudos recentes investigam como interações atmosféricas com os oceanos Índico e Atlântico podem acelerar essas mudanças.
Uma das principais questões científicas é se um planeta mais quente pode favorecer transições extremas. Pesquisas sugerem que a passagem de uma La Niña prolongada para um El Niño forte, embora rara, pode se tornar mais provável em um cenário de aquecimento global, pois o oceano acumula calor durante a fase fria, que é liberado rapidamente na mudança de fase.
É a transição entre as duas fases opostas do fenômeno ENOS. A La Niña é caracterizada pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, enquanto o El Niño é o aquecimento anormal dessas mesmas águas. A virada de 2026 foi notável pela sua velocidade e intensidade recordes.
A anomalia na Região Niño 3.4, a principal para monitoramento, atingiu +3,2°C acima da média. Na Região Niño 1+2, próxima à costa da América do Sul, o aquecimento chegou a +5,3°C.
Historicamente, o El Niño tende a causar um aumento do volume de chuvas na Região Sul, elevando o risco de enchentes e tempo severo. No Norte e Nordeste, o padrão costuma ser de seca e temperaturas mais altas. O fenômeno também aumenta a frequência de ondas de calor em diversas partes do país.
A transição abrupta e recorde de La Niña para El Niño em 2026 estabelece um novo marco na observação climática moderna. A velocidade sem precedentes do aquecimento do Pacífico Equatorial serve como um alerta e impulsiona a ciência a aprofundar a compreensão sobre como os ciclos naturais estão sendo potencialmente alterados em um planeta mais quente.
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