Rocha espacial que caiu em Nova Jersey em 2024 continha centenas de aminoácidos extraterrestres, reforçando a teoria de que o espaço semeou a vida na Terra. Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Espaço · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 18 de julho de 2026. Um meteorito de aproximadamente 1,35 kg que atravessou o telhado de uma casa em Hillsborough, Nova Jersey, em 16 de julho de 2024, revelou conter centenas de aminoácidos de origem extraterrestre, fornecendo novas pistas sobre como os ingredientes para a vida podem ter chegado à Terra primitiva.
A descoberta, publicada na revista científica Science Advances, analisou a rocha espacial que se tornou uma cápsula do tempo cósmica após ser rapidamente recolhida pelos moradores, o que evitou sua contaminação e permitiu um estudo em estado de conservação excepcional, conforme detalhado pela CNN Brasil.
Análises laboratoriais revelaram um conjunto complexo de compostos orgânicos, incluindo centenas de aminoácidos, que são os blocos de construção das proteínas. "A maioria dos aminoácidos detectados em Hillsborough é rara ou inexistente na vida na Terra, o que demonstra que eles têm origem verdadeiramente extraterrestre", afirmou o Dr. Danny Glavin, cientista da NASA e coautor do estudo, em declaração repercutida pela CNN Brasil.
Além dos aminoácidos, os pesquisadores identificaram minerais formados pela ação de fluidos ricos em sal, ou salmouras, um processo nunca antes observado neste tipo de rocha espacial. Segundo o portal Xataka, essas salmouras podem ter facilitado reações químicas que formaram moléculas orgânicas complexas.
O valor científico da descoberta foi amplificado pela rápida ação dos moradores da casa atingida. Ao recolherem os fragmentos com luvas descartáveis e papel-alumínio antes da chuva, eles impediram a contaminação da rocha espacial, que é porosa e absorve umidade facilmente. Essa preservação foi fundamental para a análise detalhada do material, como destacado pelo Metrópoles.
Classificado como um condrito carbonáceo do tipo CM1/2, um dos mais raros conhecidos, o meteorito de Hillsborough é um remanescente do Sistema Solar primitivo. A trajetória da rocha espacial foi reconstruída a partir de câmeras e relatos de testemunhas, indicando que ela veio do cinturão de asteroides localizado entre Marte e Júpiter.
O objeto, do tamanho de uma mala de viagem, entrou na atmosfera a cerca de 51 mil km/h e se fragmentou, com apenas o pedaço encontrado na residência sendo recuperado.
São os blocos de construção das proteínas, essenciais para a vida como a conhecemos. A maioria dos compostos identificados na rocha espacial é rara ou inexistente na Terra, confirmando sua origem extraterrestre e fornecendo um vislumbre da química prebiótica do Sistema Solar.
A descoberta reforça a hipótese de que asteroides e meteoritos podem ter "semeado" a Terra primitiva com os compostos orgânicos necessários para o surgimento da vida. Embora não seja uma prova de vida extraterrestre, mostra que seus ingredientes fundamentais podem se formar no espaço.
Fragmentos do meteorito de Hillsborough estão sendo preservados para futuras pesquisas no Museu Americano de História Natural, em Nova York, garantindo que o material continue a ser estudado pela comunidade científica.
A análise do meteorito de Hillsborough oferece uma janela única para a química do início do Sistema Solar. A presença de uma diversidade tão rica de aminoácidos e a evidência de processos químicos em salmouras fortalecem a teoria de que impactos de rochas espaciais foram cruciais para trazer à Terra os ingredientes que, eventualmente, deram origem à vida.
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