Cupinzeiros possuem um sistema de ventilação natural tão eficaz que inspira edifícios a reduzir o uso de ar-condicionado. Entenda como a biomimética funciona.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. A engenharia natural dos cupins, capaz de criar sistemas de climatização mais eficientes que muitos aparelhos de ar-condicionado humanos, está inspirando uma nova geração de edifícios sustentáveis. Essas estruturas, estudadas em locais como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, revelam um sofisticado controle de temperatura e umidade sem qualquer gasto de energia elétrica.
Os cupinzeiros mantêm um microclima interno estável através de um sistema de ventilação passiva. Segundo estudos sobre o tema, a estrutura é formada por uma complexa rede de túneis, câmaras e paredes porosas que promovem a circulação constante do ar. Esse processo se baseia em princípios físicos como o Efeito Chaminé e o Efeito Venturi.
O mecanismo funciona da seguinte forma: o calor gerado pelo metabolismo de milhões de cupins e pelo cultivo de fungos aquece o ar no centro da colônia. Esse ar, menos denso, sobe por uma grande chaminé central. Ao mesmo tempo, o vento que passa pelo topo do cupinzeiro cria uma zona de baixa pressão, que suga o ar quente para fora. Para compensar, ar fresco e oxigenado é puxado para dentro por aberturas na base da estrutura, onde é resfriado naturalmente ao passar por canais subterrâneos em contato com o solo úmido, conforme detalhado pela Revista Amazônia.
A ciência que estuda e aplica as soluções da natureza para resolver problemas humanos é chamada de biomimética. A ventilação dos cupinzeiros é um dos exemplos mais notáveis de sua aplicação na arquitetura, visando reduzir a dependência de sistemas de climatização artificiais.
O exemplo mais famoso é o Eastgate Centre, um complexo comercial em Harare, no Zimbábue. Inspirado diretamente nos cupinzeiros, o edifício consome 90% menos energia para refrigeração do que um prédio convencional de mesmo porte. Ele utiliza sua massa de concreto para absorver calor durante o dia e o libera durante a noite, enquanto ventiladores de baixa potência auxiliam a circulação de ar por chaminés, imitando o processo natural dos insetos.
Para decodificar completamente essa engenharia, pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, utilizaram tomografia computadorizada para digitalizar o interior dos cupinzeiros. O objetivo, segundo o site Inovação Tecnológica, é mapear os fluxos de ar e umidade para replicar essas estruturas em materiais de construção.
A pesquisa demonstrou que é possível criar sistemas de controle de fluxo de ar em edifícios que são muito mais eficientes. Em vez de grandes ventiladores, a tecnologia permitiria o uso de pequenos atuadores eletrônicos nas paredes para regular a ventilação, calor e umidade de forma dinâmica e com um consumo mínimo de energia.
É uma área da ciência que estuda os princípios e estratégias da natureza para criar soluções inovadoras em áreas como engenharia e arquitetura. O uso da ventilação de cupinzeiros para climatizar prédios é um exemplo clássico.
O Eastgate Centre em Harare, capital do Zimbábue, é o exemplo mais célebre. Projetado pelo arquiteto Mick Pearce, ele utiliza um sistema de refrigeração passiva que imita os cupinzeiros, resultando em uma economia de energia de até 90%.
Eles usam um sistema de ventilação passiva. O ar quente gerado pela colônia sobe por uma chaminé central e é expelido, enquanto o ar fresco é puxado por canais na base, onde é resfriado pelo solo antes de circular internamente. Esse ciclo mantém a temperatura e a umidade estáveis.
A engenharia sofisticada dos cupins demonstra que a natureza detém soluções eficientes e sustentáveis para desafios modernos, como o alto consumo de energia na climatização de edifícios. Ao observar e replicar esses sistemas, a arquitetura biomimética abre caminho para um futuro com construções mais inteligentes e com menor impacto ambiental, valorizando a biodiversidade como fonte de inovação.
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