Em 1960, as cadelas soviéticas Belka e Strelka se tornaram os primeiros seres vivos a orbitar a Terra e retornar em segurança. Entenda como a missão abriu caminho para Yuri Gagarin.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
As cadelas Belka e Strelka fizeram história em 19 de agosto de 1960, tornando-se os primeiros seres vivos a viajar para a órbita da Terra e retornar em segurança. A bordo da nave soviética Korabl-Sputnik 2, sua missão bem-sucedida foi um passo crucial para a exploração espacial, fornecendo dados vitais que viabilizaram o voo do primeiro ser humano, Yuri Gagarin, menos de um ano depois. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Belka ("Esquilo" ou "Branquinha") e Strelka ("Flechinha") eram duas cadelas de rua selecionadas para o programa espacial soviético. Os cientistas preferiam usar cães de rua por acreditarem que eles seriam mais resistentes às condições extremas de uma viagem espacial, como o estresse e a inatividade prolongada, segundo relatos do programa. A escolha por fêmeas também era intencional, pois o sistema de coleta de resíduos era projetado especificamente para elas.
Antes do voo, elas passaram por um treinamento rigoroso que incluía:
Em 19 de agosto de 1960, Belka e Strelka foram lançadas da Base de Baikonur. Elas não estavam sozinhas: a cápsula também transportava um coelho cinza, 42 camundongos, dois ratos, moscas, plantas e fungos. O objetivo era estudar os efeitos da microgravidade e da radiação em diferentes organismos vivos.
A missão durou cerca de 25 horas e completou 17 órbitas ao redor da Terra. Durante o voo, câmeras transmitiam imagens em tempo real, e sensores monitoravam os sinais vitais das cadelas. Apesar do estresse inicial do lançamento, elas se acalmaram em órbita. No entanto, durante a quarta volta, Belka ficou agitada e vomitou. Esse incidente levou os cientistas a limitar o futuro voo de Yuri Gagarin a apenas uma órbita por precaução.
Em 20 de agosto de 1960, a cápsula pousou com sucesso, e todos os animais a bordo foram recuperados com vida. Belka e Strelka se tornaram as primeiras criaturas a sobreviver a um voo orbital, provando que seres vivos poderiam suportar as condições do espaço e retornar à Terra. O sucesso da missão forneceu a confiança necessária para que a União Soviética enviasse Yuri Gagarin ao espaço oito meses depois, em 12 de abril de 1961.
Após o retorno, as cadelas se tornaram celebridades mundiais, com suas imagens estampadas em selos e cartões postais. Elas viveram o resto de suas vidas em um instituto científico em Moscou. Meses depois, Strelka deu à luz seis filhotes saudáveis, demonstrando que a viagem espacial não havia causado danos reprodutivos. Um dos filhotes, uma fêmea chamada Pushinka, foi presenteada pelo líder soviético Nikita Khrushchev à primeira-dama dos EUA, Jacqueline Kennedy.
Não. Os primeiros animais no espaço foram moscas-das-frutas, lançadas pelos EUA em 1947. Os primeiros cães em um voo espacial (sub-orbital) foram Dezik e Tsygan, em 1951. Belka e Strelka foram os primeiros seres vivos a orbitar a Terra e retornar com vida.
Laika foi o primeiro ser vivo a orbitar a Terra, em 1957, a bordo da Sputnik 2. Infelizmente, a tecnologia da época não permitia o retorno seguro da cápsula, e Laika morreu entre cinco e sete horas após o lançamento devido ao superaquecimento e estresse.
Cientistas soviéticos consideravam os cães mais adequados para suportar longos períodos de inatividade e mais fáceis de treinar. Além disso, a fisiologia canina já era bem estudada, e cães de rua eram vistos como mais adaptáveis a condições severas.
A jornada de Belka e Strelka representa um marco fundamental na história da exploração espacial. Sua sobrevivência não apenas validou a segurança das naves soviéticas, mas também forneceu dados biológicos indispensáveis que garantiram a segurança do primeiro voo humano ao espaço, consolidando um capítulo decisivo na corrida espacial.
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