Nova pesquisa com ressonância magnética mostra que cães distinguem alegria, medo e raiva em rostos humanos. Entenda como o cérebro canino processa nossas expressões.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 11 de agosto de 2026. Um novo estudo confirma o que muitos tutores já suspeitavam: o cérebro dos cachorros consegue captar e diferenciar diversas emoções em rostos humanos. Pesquisadores utilizaram imagens de ressonância magnética para mostrar que os cães distinguem expressões de alegria, medo e raiva, revelando uma compreensão sofisticada da comunicação humana, conforme publicado na revista científica iScience.
Para chegar a essas conclusões, a equipe de cientistas trabalhou com 20 cães de estimação, incluindo raças como border collie, labrador e golden retriever. Os animais foram treinados para permanecerem imóveis em um aparelho de ressonância magnética funcional (fMRI), na posição de "esfinge", enquanto observavam fotos de rostos de pessoas desconhecidas com diferentes expressões.
A análise das imagens cerebrais revelou padrões de atividade distintos para diferentes emoções, mostrando que os cães não apenas percebem, mas também processam nossas expressões de maneiras específicas.
Rostos felizes provocaram uma reação distinta no cérebro dos cães. Houve maior atividade em áreas do córtex temporal e do núcleo caudado, regiões associadas ao processamento de informações sociais e ao sistema de recompensa. Isso sugere que expressões de felicidade são particularmente marcantes e positivas para eles.
A pesquisa também revelou que o cérebro canino consegue diferenciar certas emoções negativas. A atividade cerebral permitiu separar os padrões provocados por medo e raiva, e também por medo e tristeza, fornecendo a primeira evidência de que os cães distinguem expressões faciais negativas específicas.
Apesar da capacidade de distinção, o estudo apontou uma limitação: os padrões cerebrais para raiva e tristeza não puderam ser diferenciados apenas com as imagens. Os pesquisadores sugerem que, em situações reais, os cães provavelmente utilizam outras pistas, como linguagem corporal e tom de voz, para fazer essa leitura mais sutil.
Segundo Laura Cuaya, principal autora do estudo, essa habilidade é um resultado direto da domesticação. "Com os cães, a história é totalmente diferente. Eles seguiram uma trajetória evolutiva muito diferente, mas, por meio da domesticação, desenvolveram as habilidades sociais necessárias para nos entender e cooperar conosco", explicou em comunicado. A capacidade de reconhecer a alegria, por exemplo, está ligada à formação de laços e ao sistema de recompensa, reforçando comportamentos que agradam seus tutores.
De acordo com o estudo, os cães reconhecem emoções humanas ao processar visualmente as expressões faciais. A análise de ressonância magnética mostrou que diferentes emoções, como alegria e medo, ativam padrões distintos no cérebro canino, especialmente em áreas ligadas ao processamento social e de recompensas.
O estudo mostrou que, apenas com base nos padrões de atividade cerebral ao ver fotos, os cães não diferenciaram raiva de tristeza. No entanto, eles conseguiram distinguir medo de raiva e medo de tristeza, indicando uma percepção sofisticada de emoções negativas.
Sim. Pesquisadores afirmam que a convivência de milhares de anos com humanos fez com que os cães desenvolvessem habilidades sociais para nos entender e cooperar. Essa sintonia fina com nossas emoções é um resultado direto do processo de domesticação.
A pesquisa publicada na iScience fornece evidências científicas robustas de que os cães possuem uma capacidade neural para distinguir emoções faciais humanas. As descobertas reforçam a profundidade do vínculo entre cães e humanos, moldado por milênios de evolução conjunta, e abrem caminho para uma melhor compreensão de como nossos companheiros de quatro patas percebem o mundo ao nosso redor.
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