Estudo da USP revela que 57% dos felinos com enteropatia crônica melhoram com alimentação específica, mas não pela digestibilidade. Saiba o que fazer.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma dieta específica para gatos com problemas gastrointestinais crônicos pode reduzir significativamente sintomas como vômito e diarreia, aponta um novo estudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. Atualizado em 13 de outubro de 2026.
A pesquisa revelou que 57% dos gatos com enteropatia crônica, uma inflamação persistente do trato digestivo, responderam positivamente à mudança alimentar. Surpreendentemente, a melhora clínica não esteve associada a uma maior capacidade de digestão dos nutrientes, contrariando uma crença comum na área, conforme destacado pelos pesquisadores.
A enteropatia crônica é uma condição inflamatória do sistema gastrointestinal que causa sinais clínicos persistentes por mais de três semanas, como vômitos e diarreia. Segundo a autora da pesquisa, Erika Pereira, o diagnóstico é realizado após a exclusão de outras possíveis causas, como infecções, parasitoses e alterações metabólicas.
A pesquisa comparou o aproveitamento de nutrientes entre gatos doentes e saudáveis que receberam a mesma dieta formulada para saúde gastrointestinal. O estudo trouxe novas perspectivas sobre o tratamento nutricional da condição.
O achado mais importante, segundo o orientador da pesquisa, Fábio Alves Teixeira, foi a ausência de diferença na digestibilidade dos alimentos entre os gatos doentes e os saudáveis. "Os resultados indicam que a resposta clínica à dieta não depende apenas de sua alta digestibilidade, que é algo muito citado na literatura como justificativa para os animais melhorarem só com a troca da alimentação", relatou Erika Pereira ao Jornal da USP.
Após 60 dias de dieta, os gatos com enteropatia crônica apresentaram um aumento nos níveis de metabólitos ligados ao processamento da vitamina D. Os pesquisadores também observaram uma melhora nos níveis de albumina no sangue, uma proteína que ajuda a avaliar o estado nutricional do animal, sugerindo uma interação positiva entre a dieta, a vitamina e a redução da inflamação.
O estudo também mostrou que a resposta ao tratamento varia. Gatos que não melhoraram com a primeira dieta foram submetidos a uma segunda intervenção com um alimento hipoalergênico, que utiliza proteínas hidrolisadas (quebradas em partículas menores). A maioria desses animais respondeu bem à segunda formulação. "Há pacientes que respondem a um perfil e pacientes que respondem a outro", afirmou Erika, reforçando a necessidade de um tratamento individualizado.
Não. Vômitos recorrentes, mesmo que seja apenas de pelos, líquidos ou alimentos, não são considerados normais e precisam ser investigados por um médico-veterinário. "A partir do momento que você tem um gato que vomita, ele tem alguma coisa que precisa ser investigada", alerta Erika Pereira.
Os principais sinais são vômito ou diarreia que persistem por mais de três semanas. Fezes pastosas de forma contínua ou intermitente também são um sinal de alerta que merece avaliação profissional.
A primeira etapa do tratamento é a mudança alimentar para uma dieta específica, seja gastrointestinal ou hipoalergênica. Segundo os pesquisadores, a maioria dos gatos responde bem apenas com a nutrição, sem necessidade de medicamentos. Casos que não melhoram podem exigir exames mais detalhados, como uma endoscopia.
A pesquisa da USP reforça o papel central da nutrição no manejo de gatos com problemas gastrointestinais crônicos. Os resultados demonstram que a mudança na dieta é uma ferramenta eficaz para controlar os sintomas na maioria dos casos e que a resposta positiva vai além da simples digestibilidade do alimento. Tutores devem estar atentos a sinais como vômitos e diarreia persistentes e procurar orientação veterinária, pois um tratamento nutricional adequado pode restaurar a qualidade de vida do animal.
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