Pesquisadores combinaram análise de pegadas, carvão e experimentos práticos para reconstruir jornada de grupo do Paleolítico Superior em caverna na Itália.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um estudo científico reconstruiu como um grupo de cinco humanos, acompanhados por um cão, explorou as profundezas de uma caverna na Itália há cerca de 14.400 anos. A solução para a escuridão foi surpreendentemente simples e eficaz: galhos de pinheiro acesos, usados como tochas portáteis para iluminar um percurso de centenas de metros.
A pesquisa, focada na Caverna Bàsura, na região da Ligúria, analisou um conjunto de 180 pegadas fossilizadas. As marcas revelaram a presença de dois adultos, um pré-adolescente e duas crianças (com idades estimadas em 3 e 6 anos), além de um canídeo. Segundo os pesquisadores, as pegadas do animal representam a evidência mais antiga da presença de um cão domesticado em uma atividade de exploração subterrânea.
Para entender como o grupo navegou na escuridão, os cientistas combinaram múltiplas técnicas. A análise de pólen preservado nos sedimentos indicou a presença de florestas de pinheiros na paisagem da época. Fragmentos de carvão encontrados nas paredes e no chão da caverna pertenciam majoritariamente a galhos de pinheiro-silvestre, sugerindo que foram colhidos de árvores vivas e preparados como combustível.
A equipe realizou experimentos práticos para testar a viabilidade do método. Utilizando galhos de pinheiro em uma caverna com condições semelhantes, voluntários recriaram a jornada. Os testes mostraram que apenas duas tochas — uma na frente e outra na retaguarda do grupo — eram suficientes para garantir a visibilidade por cerca de dez metros, com a vantagem de produzir pouca fumaça e menos ofuscamento que tochas maiores. O grupo pré-histórico provavelmente caminhou em fila indiana, uma estratégia segura em ambientes desconhecidos.
A análise detalhada das pegadas e dos vestígios de carvão indica que a exploração foi uma atividade planejada. Em trechos onde o teto da caverna era muito baixo, o grupo foi forçado a rastejar, deixando as primeiras evidências conhecidas de pegadas humanas nessa posição. A descoberta revela a capacidade de planejamento e a engenhosidade dos grupos de caçadores-coletores do Paleolítico Superior, além de destacar a participação ativa de crianças em atividades complexas e potencialmente perigosas.
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