Descoberto em 1920, o meteorito Hoba é a maior massa de ferro intacta na Terra, com 60 toneladas. Entenda sua origem e o mistério de como caiu sem cratera.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 21 de setembro de 2026. Descoberto por um agricultor em 1920 na Namíbia, o meteorito Hoba é a maior massa de ferro e níquel intacta já encontrada na superfície da Terra. Com cerca de 60 toneladas, a rocha espacial permanece no mesmo local e intriga cientistas por um detalhe peculiar: a ausência de uma grande cratera de impacto.
Em 1920, o agricultor Jacobus Hermanus Brits encontrou um objeto metálico incomum em sua fazenda, Hoba West, perto de Grootfontein, no norte da Namíbia. Segundo a versão mais popular, seu arado atingiu a massa de ferro, produzindo um som metálico e parando abruptamente, conforme relatado por diversas fontes, incluindo o Portal 6. Outro relato, atribuído ao próprio Brits, sugere que ele notou a rocha enquanto caçava e, ao riscá-la com uma faca, descobriu sua natureza metálica.
Independentemente da versão, o achado revelou-se um tesouro científico: uma placa de metal com aproximadamente 2,7 metros de comprimento por 2,7 metros de largura e cerca de 1 metro de espessura.
O meteorito Hoba é classificado como uma ataxita do grupo IVB, uma categoria rara de meteoritos metálicos com alto teor de níquel. Sua composição é de aproximadamente 82,4% de ferro e 16,4% de níquel, com pequenas quantidades de cobalto e outros elementos, de acordo com o site Magnus Mundi. Esse peso e densidade extraordinários explicam por que, mais de um século depois, ele nunca foi movido para um museu, ao contrário de outros grandes meteoritos.
Uma das maiores curiosidades sobre o Hoba é a ausência de uma cratera de impacto visível. Cientistas teorizam que seu formato achatado e uma entrada em ângulo raso na atmosfera terrestre funcionaram como um freio aerodinâmico. Conforme detalhado em análises do Xataka, essa geometria teria dissipado grande parte de sua velocidade cósmica.
Em vez de um impacto violento, o meteorito teria chegado ao solo em velocidade terminal, como uma "bigorna gigantesca" caindo, e não como um projétil. Simulações sugerem que ele ainda poderia ter criado uma cratera modesta, com cerca de 20 metros de diâmetro, que foi apagada pela erosão e sedimentação ao longo de dezenas de milhares de anos.
Após sua descoberta, o meteorito Hoba sofreu com o vandalismo de visitantes que retiravam pequenos pedaços como lembrança. Para garantir sua preservação, o governo declarou a rocha Monumento Nacional em 1955, conforme aponta o Correio Braziliense. Anos depois, o local foi doado ao Estado e recebeu infraestrutura para se tornar uma atração turística, com um anfiteatro de pedra construído ao seu redor para facilitar a visitação e proteger o espécime.
O meteorito Hoba, localizado na Namíbia, é considerado o maior meteorito individual e intacto conhecido na superfície da Terra, com uma massa estimada em 60 toneladas.
A principal hipótese é que seu formato plano e a entrada em ângulo baixo na atmosfera reduziram drasticamente sua velocidade. Ele atingiu o solo com muito menos energia do que um impacto típico, e qualquer depressão menor que tenha criado foi apagada pela erosão ao longo de milênios.
Ele permanece exatamente no mesmo local onde foi descoberto em 1920, na fazenda Hoba West, perto de Grootfontein, na Namíbia. O local foi transformado em um centro turístico e educacional.
O meteorito Hoba é mais do que uma rocha espacial; é uma cápsula do tempo que oferece pistas sobre a formação do Sistema Solar. Sua história, desde a descoberta acidental até se tornar um monumento protegido, destaca sua importância científica e cultural, permanecendo como uma das maravilhas geológicas mais acessíveis do mundo.
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