Pesquisa revela que pacientes com infarto têm mais microplásticos no sangue. Entenda a associação com poluição, tabagismo e o que a ciência diz sobre o risco.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um novo estudo publicado na revista científica European Heart Journal revelou uma forte associação entre a presença de micro e nanoplásticos no sangue e a ocorrência de infarto agudo do miocárdio. Atualizado em 25 de julho de 2026.
Pesquisadores italianos descobriram que essas partículas microscópicas foram detectadas com uma frequência significativamente maior em pacientes que sofreram um ataque cardíaco em comparação com indivíduos com outras doenças coronárias ou artérias saudáveis. Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que o estudo aponta uma correlação, e não uma relação de causa e efeito.
A pesquisa analisou amostras de sangue de 61 pacientes divididos em três grupos. Os resultados mostraram que micro e nanoplásticos foram encontrados em:
Além da maior frequência, os pacientes que tiveram infarto apresentaram uma quantidade e diversidade maior de tipos de plástico no sangue. O polietileno, amplamente utilizado em embalagens, foi o tipo mais comum identificado nas amostras.
O estudo também investigou a influência de fatores ambientais. Pacientes expostos a níveis mais elevados de poluição do ar a longo prazo tinham maior probabilidade de ter microplásticos na corrente sanguínea. O tabagismo se mostrou um fator ainda mais crítico: fumantes apresentaram uma chance seis vezes maior de ter as partículas detectadas no sangue.
De acordo com a pesquisa, o histórico de fumar foi o único fator que permaneceu associado de forma independente à presença de microplásticos, sugerindo que o hábito pode facilitar a entrada dessas partículas no organismo através dos pulmões.
Especialistas e os próprios autores do estudo pedem cautela na interpretação dos dados. Por ser um estudo observacional e com um número reduzido de participantes (61 pessoas), não é possível afirmar que os microplásticos causam infartos. A pesquisa apenas estabelece uma forte associação estatística.
Fatores de confusão, como vulnerabilidade socioeconômica ou a possibilidade de que o próprio tratamento do infarto (com infusões intravenosas) possa introduzir plásticos no corpo, não foram descartados. Portanto, os achados são considerados "exploratórios e geradores de hipóteses", necessitando de estudos maiores e de longo prazo para confirmação.
Atualmente, não há comprovação de que microplásticos causem infarto. O estudo mais recente mostra uma forte associação, mas não estabelece uma relação de causa e efeito. Pesquisas de laboratório sugerem que as partículas podem desencadear inflamação, um fator de risco para doenças cardiovasculares.
O polietileno, usado em embalagens e produtos de consumo, foi o tipo mais comum encontrado no sangue dos pacientes. Em menor grau, também foi detectado o cloreto de polivinila (PVC).
Os microplásticos podem ser inalados ou ingeridos através do ar, da água e de alimentos contaminados. Fatores como tabagismo e exposição à poluição atmosférica parecem aumentar a concentração dessas partículas no organismo.
A descoberta de níveis elevados de microplásticos no sangue de pacientes que sofreram infarto adiciona uma nova camada de preocupação sobre os impactos da poluição plástica na saúde humana. Embora a ciência ainda precise confirmar se essas partículas são um novo vilão para o coração, os dados reforçam a urgência de reduzir a contaminação ambiental. Enquanto isso, os fatores de risco cardiovascular conhecidos, como tabagismo, obesidade e sedentarismo, continuam sendo os principais alvos de prevenção.
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