Conheça o R/V Falkor (too), embarcação que trocou a exploração de petróleo pela ciência e já revelou mais de cem novas formas de vida no fundo do mar.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um navio que antes buscava petróleo e gás foi transformado em uma plataforma de pesquisa científica de ponta, o R/V Falkor (too), e já descobriu mais de cem novas espécies no oceano profundo. A embarcação, operada pela organização não governamental Schmidt Ocean Institute, esteve recentemente atracada em Fortaleza (CE) e tem retorno previsto ao Brasil em um momento estratégico para a ciência oceânica nacional. Atualizado em 13 de outubro de 2026.
O R/V Falkor (too) é um exemplo de readequação de infraestrutura para novos propósitos. Anteriormente utilizado na indústria de exploração de petróleo, o navio foi completamente adaptado para missões oceanográficas. A iniciativa é do Schmidt Ocean Institute, fundado em 2009 pelos empresários Eric e Wendy Schmidt, com o objetivo de oferecer acesso gratuito a tecnologias avançadas para cientistas de todo o mundo. O nome da embarcação foi inspirado no dragão do filme "A História Sem Fim".
A principal ferramenta a bordo é o ROV (Veículo Operado Remotamente) SubBastian, um robô submarino de quatro toneladas capaz de alcançar mais de quatro mil metros de profundidade para coletar dados e imagens de um ambiente ainda pouco conhecido pela humanidade. Atualmente, menos de 30% do leito marinho foi mapeado.
As expedições do Falkor (too) já resultaram na descoberta de mais de cem novas espécies, incluindo o "Loki, o Pepino-do-mar", um animal com apêndices que lembram os chifres do deus da mitologia nórdica. As pesquisas, que são transmitidas ao vivo pela internet, buscam entender a formação do oceano profundo, a biodiversidade em locais inóspitos e o papel das correntes marítimas na regulação do clima global.
Recentemente, em uma exploração na Dorsal Mesoatlântica, a equipe encontrou uma jaqueta a mais de 3.000 metros de profundidade, a 1.700 quilômetros da costa brasileira, um lembrete da onipresença do lixo humano.
A presença do navio no Brasil está alinhada a um momento de protagonismo do país na agenda oceânica global. O Falkor (too) tem uma expedição científica prevista para águas brasileiras em 2026, com foco no cânion da Foz do Amazonas e participação de pesquisadores nacionais. A embarcação também estará no país em 2027, ano em que o Rio de Janeiro sediará a Conferência da Década do Oceano da ONU, um dos principais eventos globais sobre o tema.
A conferência, que ocorrerá em abril de 2027, reunirá milhares de especialistas, governantes e membros da sociedade civil para debater soluções para a conservação e o desenvolvimento sustentável dos mares, reforçando o papel estratégico do Brasil, que possui mais de 10 mil quilômetros de costa.
É uma embarcação de pesquisa oceanográfica do Schmidt Ocean Institute. Originalmente construído para a indústria de petróleo e gás, foi convertido em um laboratório marinho de última geração para explorar o oceano profundo.
A Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030) é uma iniciativa da ONU para estimular a ciência e o conhecimento a fim de reverter o declínio da saúde dos oceanos e promover um uso sustentável de seus recursos.
A conferência será realizada na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 7 e 9 de abril de 2027, com eventos relacionados acontecendo a partir do dia 5 de abril.
A transformação do R/V Falkor (too) de um navio de exploração de petróleo para um de pesquisa científica simboliza uma mudança de paradigma na relação humana com o oceano. Suas descobertas e sua presença no Brasil durante a preparação para a Conferência da Década do Oceano de 2027 destacam a crescente importância da ciência para a conservação e o uso sustentável do maior ecossistema do planeta.
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