Cientistas identificam a Siphonops maria, uma nova espécie de cecília que vive sob a terra em florestas do Rio de Janeiro. Saiba como a análise de DNA revelou o animal.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma nova espécie de anfíbio, que vive escondida sob o solo da Mata Atlântica, foi oficialmente descrita por cientistas brasileiros. Batizada de Siphonops maria, a cecília, popularmente conhecida como "cobra-cega", foi identificada após análises de exemplares de museu e de DNA, e seu nome presta uma homenagem única às mulheres do Brasil. Atualizado em 10 de setembro de 2026.
A descoberta, detalhada em um artigo científico, foi resultado de um trabalho minucioso que começou em 2022. Segundo o G1, pesquisadores como Adriano Maciel, doutor em Zoologia, analisaram espécimes preservados no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Um indivíduo coletado em 2015 no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ) chamou a atenção por características distintas, como a contagem de anéis corporais e a dentição, que não batiam com as de espécies conhecidas, como a Siphonops hardyi.
Para confirmar a suspeita, a equipe realizou estudos filogenéticos com dados moleculares (DNA), que comprovaram se tratar de uma linhagem evolutiva independente. Felipe Toledo, professor da Unicamp e coautor do estudo, explicou que exemplares do Museu de Diversidade Biológica da universidade também foram usados para comparação, consolidando as evidências necessárias para descrever a nova espécie.
O nome Siphonops maria carrega um significado histórico e social profundo. A escolha inicial foi para homenagear uma mulher escravizada chamada Maria, a única mulher entre 11 pessoas que participaram do reflorestamento do Parque Nacional da Tijuca no século XIX, uma área onde a espécie também ocorre.
Conforme relatado por Adriano Maciel ao G1, a homenagem se expandiu para representar o feminino em sua amplitude, reconhecendo as mais de 11 milhões de "Marias" brasileiras. A intenção é também popularizar o animal com um nome como "cecília-de-maria", chamando atenção para a importância da conservação.
A descrição da Siphonops maria reforça a Mata Atlântica como um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, ameaçados do mundo. A região é um verdadeiro celeiro de biodiversidade, com descobertas frequentes de novas espécies.
Essas descobertas sublinham a urgência da proteção dos remanescentes florestais, que abrigam uma vida ainda desconhecida pela ciência.
Cecílias, também chamadas de "cobras-cegas", são anfíbios da ordem Gymnophiona. Apesar da aparência, não são minhocas nem serpentes. A maioria vive soterrada, escavando túneis no solo de florestas, e possui olhos com função reduzida, o que inspirou seu nome derivado do latim caecus ("cego").
A Siphonops maria ocorre em remanescentes de Mata Atlântica nas regiões central e oeste do estado do Rio de Janeiro, incluindo áreas de parques nacionais como a Serra dos Órgãos e a Tijuca.
A identificação de uma nova espécie como a Siphonops maria destaca a imensa biodiversidade ainda não catalogada na Mata Atlântica. Ela reforça a necessidade de proteger unidades de conservação e fragmentos florestais, pois a degradação desses habitats pode levar à extinção de espécies antes mesmo de serem conhecidas.
A descoberta da Siphonops maria é mais do que um avanço taxonômico; é um lembrete da riqueza escondida sob nossos pés e da importância de preservar a Mata Atlântica. A homenagem em seu nome conecta a ciência à história social do Brasil, valorizando tanto a biodiversidade quanto as figuras humanas que ajudaram a construir e preservar nossas florestas.
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