O peixe-lua, maior peixe ósseo do mundo, emerge na superfície para que aves marinhas removam seus parasitas. Saiba mais sobre essa fascinante relação de mutualismo.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. O peixe-lua (gênero Mola) emerge e deita-se horizontalmente na superfície do oceano em um comportamento deliberado para permitir que aves marinhas se alimentem dos ectoparasitas em sua pele. Esta interação é um exemplo de mutualismo, onde ambos os animais se beneficiam: o peixe fica livre de hospedeiros indesejados e as aves ganham uma refeição fácil.
O peixe-lua, também conhecido como "sunfish" em inglês, sobe à superfície e se posiciona de lado, expondo seu corpo ao sol e às aves. Este comportamento atrai aves marinhas, que pousam sobre o peixe e se alimentam dos diversos parasitas que se acumulam em sua pele espessa e áspera. Segundo o professor de biologia Paulo Henrique Barboza de Castro, essa relação pode ser chamada de mutualismo, pois é vantajosa para as duas espécies envolvidas.
Além da limpeza, este ato de "tomar sol" tem outra função crucial: a termorregulação. Como o peixe-lua habita águas profundas, entre 200 e 600 metros, onde a temperatura é muito baixa, ele sobe para se aquecer na superfície, otimizando seu metabolismo.
A biologia do peixe-lua o torna um alvo fácil para parasitas. Sua pele é grossa, rugosa e não possui as escamas tradicionais que protegem muitos outros peixes. Além disso, sua natação é relativamente lenta e desajeitada, facilitando a fixação de hospedeiros. Um único peixe-lua adulto pode hospedar mais de 40 espécies diferentes de parasitas, tornando a ajuda de aves e outros peixes limpadores essencial para sua saúde.
Apesar de sua aparência incomum e do rótulo equivocado de "inútil" que circula na internet, o peixe-lua desempenha um papel ecológico importante. Ele é um dos principais predadores de águas-vivas, ajudando a controlar a população desses cnidários e a manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Sua dieta também inclui zooplâncton, pequenos peixes e crustáceos.
O título de maior e mais pesado peixe ósseo do mundo pertence a uma espécie de peixe-lua, o Mola alexandrini. Um indivíduo capturado em Portugal em 2021 pesava 2.744 toneladas, estabelecendo um recorde mundial.
A dieta do peixe-lua é composta principalmente por organismos gelatinosos, como águas-vivas e medusas. Ele também consome zooplâncton, moluscos, pequenos peixes, crustáceos e até algas, adaptando sua alimentação ao que está disponível em seu habitat.
Não. Essa ideia é um mito popularizado na internet. Biologicamente, o peixe-lua é essencial para o controle populacional de águas-vivas, o que ajuda a prevenir ataques a banhistas e a manter o equilíbrio do ecossistema marinho. Ele também serve como presa para grandes predadores, como orcas e tubarões.
O comportamento do peixe-lua de se expor na superfície para ser limpo por aves marinhas é uma demonstração fascinante de cooperação na natureza. Longe de ser um animal sem função, este gigante gentil é um componente vital para a saúde dos oceanos, desempenhando um papel crucial no controle de populações de águas-vivas e na cadeia alimentar marinha.
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