Startup propõe usar partículas de carbonato de cálcio para refletir a luz solar e combater o aquecimento global. Entenda a tecnologia, os custos e os riscos.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma startup israelo-americana, a Stardust Solutions, propõe um plano ambicioso para resfriar a Terra: pulverizar a estratosfera com partículas feitas de minerais presentes em cascas de ovo. Atualizado em 10 de setembro de 2026. A técnica de geoengenharia solar custaria cerca de US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) por ano e busca replicar o efeito de resfriamento de grandes erupções vulcânicas, mas a proposta gera grande preocupação na comunidade científica.
A geoengenharia solar é um campo controverso que busca reduzir artificialmente a temperatura do planeta refletindo a luz solar de volta ao espaço. A Stardust Solutions pretende fazer isso liberando partículas na estratosfera, a camada atmosférica entre 10 e 50 quilômetros de altitude. A inspiração vem de fenômenos naturais, como a erupção do Monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, que lançou dióxido de enxofre na atmosfera e reduziu a temperatura média global em cerca de 0,5°C por mais de um ano.
A empresa desenvolveu dois tipos de partículas:
Segundo a Stardust, seria necessário pulverizar cerca de um milhão de toneladas dessas partículas anualmente para obter uma redução de 0,5°C na temperatura global. Como as partículas permaneceriam na estratosfera por aproximadamente um ano, a aplicação precisaria ser contínua para manter o efeito, a um custo estimado de US$ 10 bilhões anuais.
A Stardust Solutions foi fundada em 2023 pelos ex-físicos nucleares israelenses Yanai Yedvab e Amyad Spector. A empresa já arrecadou US$ 75 milhões (cerca de R$ 385 milhões) em financiamento privado de investidores que apostam que governos podem recorrer a soluções extremas caso o aquecimento global se agrave. A startup argumenta que sua tecnologia, usando sílica e carbonato de cálcio, é uma alternativa mais segura aos compostos de enxofre, que podem danificar a camada de ozônio e causar chuva ácida.
A comunidade científica está dividida e muitos especialistas alertam para os perigos. David Keith, professor de Ciências Geofísicas da Universidade de Chicago, afirmou que a Stardust está "exagerando muito" ao dizer que os riscos de suas partículas são menores que os do enxofre. Uma das principais preocupações é que não se sabe como uma intervenção global afetaria os padrões de chuva, as monções e a produção agrícola mundial.
Outro ponto de crítica é o envolvimento de uma empresa privada com fins lucrativos. "Quando o mundo inteiro está em jogo, satisfazer as necessidades de lucro de investidores de risco não deveria entrar em cogitação", disse Raymond Pierrehumbert, professor de Física Planetária da Universidade de Oxford. Além disso, Chukwumerije Okereke, da Universidade de Bristol, alerta para o risco político de países ricos ou investidores privados tomarem decisões que afetariam todo o planeta sem um consenso global.
Geoengenharia solar é um conjunto de técnicas que visam alterar intencionalmente o sistema climático da Terra para reduzir o aquecimento global, principalmente refletindo parte da radiação solar de volta ao espaço. A injeção de aerossóis na estratosfera é o método mais estudado.
Não. A casca de ovo propriamente dita não seria pulverizada. A empresa extrairia o carbonato de cálcio, principal componente mineral das cascas, para formar o núcleo das partículas refletoras.
Até o momento, os experimentos da Stardust Solutions ocorreram apenas em laboratório. A empresa planeja realizar testes externos nos próximos anos, mas afirma que só o fará sob supervisão e regulamentação direta dos governos envolvidos.
O plano da Stardust Solutions representa um avanço ousado no campo da geoengenharia, oferecendo uma potencial ferramenta de emergência contra a crise climática. No entanto, a proposta é acompanhada por enormes incertezas científicas e dilemas éticos, desde os riscos de efeitos colaterais imprevisíveis no clima global até a falta de uma governança internacional para controlar uma tecnologia capaz de alterar o planeta.
Descoberto em 1920, o meteorito Hoba é a maior massa de ferro intacta na Terra, com 60 toneladas. Entenda sua origem e o mistério de como caiu sem cratera.
O planeta Vênus atinge seu pico de luminosidade e pode ser visto a olho nu em todo o Brasil. Saiba o melhor horário e a direção para observar o fenômeno.
Conheça o Leopardus tilcayo, o pequeno felino selvagem identificado nas florestas de Yungas. Entenda como a análise de DNA revelou a primeira nova espécie em um século.
Prepare-se para o evento astronômico de 2 de agosto de 2027, que promete mais de 6 minutos de escuridão. Saiba onde o fenômeno será visível e por que é tão raro.