Astrônomos detectaram um megamaser, ou 'laser natural', vindo de uma colisão de galáxias. Saiba como o fenômeno e uma lente gravitacional permitiram o registro.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Astrônomos detectaram um poderoso sinal de rádio, descrito como um "laser natural", que viajou 8 bilhões de anos-luz até a Terra. A captação, realizada pelo radiotelescópio MeerKAT na África do Sul, representa um dos eventos mais energéticos do tipo já registrados e oferece novas pistas sobre a evolução do universo.
O sinal tem origem em um sistema de galáxias em fusão chamado HATLAS J142935.3–002836. Segundo cientistas da Universidade de Pretória, o fenômeno é classificado como um megamaser de hidroxila. Quando galáxias colidem, nuvens de gás são comprimidas, gerando emissões amplificadas de micro-ondas que funcionam como um laser no espectro de rádio. A intensidade do sinal é tão alta que os pesquisadores consideram que ele pode pertencer a uma categoria ainda mais rara, a de um gigamaser.
A detecção só foi possível graças a um fenômeno previsto por Albert Einstein conhecido como lente gravitacional. Neste processo, a gravidade de uma galáxia massiva localizada entre a Terra e a fonte do sinal curva o espaço-tempo, agindo como uma "lupa" cósmica. Essa lente natural amplificou a radiação, permitindo que o sinal chegasse com força suficiente para ser captado pelos instrumentos do MeerKAT.
Este registro ajuda os cientistas a estudar como as galáxias se formam, evoluem e colidem. A técnica de usar lentes gravitacionais pode revelar centenas ou milhares de outros sistemas em fusão, permitindo analisar o universo em suas fases mais antigas. As colisões galácticas são eventos comuns; a própria Via Láctea está em rota de colisão com a galáxia de Andrômeda, um evento previsto para ocorrer em cerca de 5 bilhões de anos.
É uma emissão natural e extremamente brilhante de micro-ondas, semelhante a um laser, mas no espectro de rádio. Ocorre quando moléculas de hidroxila em nuvens de gás, geralmente durante colisões de galáxias, amplificam a radiação, podendo ser bilhões de vezes mais luminosas que fenômenos similares.
O sinal foi emitido por um sistema de galáxias em processo de fusão chamado HATLAS J142935.3–002836, localizado a aproximadamente 8 bilhões de anos-luz da Terra.
Uma galáxia intermediária atuou como uma lente natural, usando sua gravidade para curvar o espaço-tempo e amplificar o sinal do megamaser. Sem essa amplificação, o sinal seria fraco demais para ser detectado na Terra.
A detecção deste megamaser recordista, possibilitada pelo efeito de lente gravitacional, marca um avanço significativo na observação do universo profundo. O evento não apenas confirma teorias sobre a evolução cósmica, mas também abre novas portas para o estudo de fusões de galáxias que moldaram o cosmos ao longo de bilhões de anos.
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