Uma obra para construir um terraço em Rebild, na Dinamarca, revelou o maior tesouro de prata da Era Viking do país, com 1.100 anos. Veja o que foi encontrado.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma reforma de quintal em Rebild, no norte da Dinamarca, levou à descoberta do maior tesouro de prata da Era Viking já encontrado no país. Atualizado em 11 de setembro de 2026, o achado de 18,5 quilos de prata, enterrado há cerca de 1.100 anos, foi feito por um morador que preparava o terreno para construir um terraço.
O morador, que preferiu não se identificar, retirava grama, pedras e cascalho quando sua ferramenta bateu em algo e produziu um som diferente. Conforme relatado aos Museus do Norte da Jutlândia, ele inicialmente pensou se tratar de ferro velho ou arame. No entanto, após cavar com as próprias mãos por cerca de meia hora, começou a retirar do solo joias, moedas e barras de prata.
O tesouro é composto por aproximadamente 700 objetos e fragmentos que somam 18,5 kg. Segundo os pesquisadores, cerca de 320 peças, pesando 6,4 quilos, ainda estavam dentro de um recipiente de barro original. O conjunto inclui uma variedade de artefatos valiosos:
Uma das barras de prata possui uma inscrição rúnica que pode ser lida como "hutu", cujo significado ainda está sendo investigado, podendo ser um nome ou uma marca de propriedade.
Para os arqueólogos, o achado é uma janela para a economia e as conexões culturais do século 10. A diversidade de objetos mostra como a riqueza era armazenada e utilizada, além de evidenciar as amplas redes comerciais da época.
Na Era Viking, a prata funcionava como meio de pagamento pelo seu peso. Por isso, era comum que joias, moedas e barras fossem cortadas em pedaços (prática conhecida como hacksilver) para atingir a quantia exata em uma negociação. A organização do tesouro, com fragmentos agrupados por pesos semelhantes, reforça essa interpretação, levando especialistas a compará-lo a um "cofre da Era Viking".
A presença de moedas estrangeiras revela a extensão das rotas comerciais vikings. Duas das moedas foram cunhadas durante o reinado de Eduardo, o Velho, que governou a Inglaterra entre 899 e 924. A existência de dirhams árabes aponta para conexões com o mundo islâmico. Além disso, a coexistência de símbolos como o martelo de Thor e marcas de cruzes em algumas peças indica um período de transição, quando o cristianismo avançava sobre as crenças nórdicas tradicionais.
O tesouro foi encontrado no quintal de uma residência em Rebild, uma cidade no norte da Dinamarca, durante a preparação do terreno para um novo terraço.
O conjunto pesa 18,5 quilos e é datado do século 10, tendo permanecido enterrado por aproximadamente 1.100 anos.
Pela legislação dinamarquesa, achados de grande importância histórica são classificados como danefæ e se tornam propriedade do Estado. O tesouro de Rebild foi encaminhado ao Museu Nacional da Dinamarca para avaliação.
A descoberta casual em Rebild representa um marco para a arqueologia dinamarquesa, sendo quase três vezes maior que o recorde anterior. Mais do que seu valor em prata, o tesouro oferece informações valiosas sobre a economia, o comércio e as transformações culturais da Era Viking, conectando um simples quintal a uma rede global de mais de mil anos atrás. A expectativa é que as peças sejam exibidas futuramente no Museu Viking de Fyrkat.
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