Descubra como o tubarão-kitefin, o maior vertebrado luminoso do mundo, utiliza sua bioluminescência. Um estudo revela sua dupla estratégia de caça e camuflagem.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O maior tubarão luminoso do mundo, o tubarão-kitefin (Dalatias licha), utiliza seu brilho em uma sofisticada estratégia de caça que combina camuflagem com um "farol biológico" para localizar presas nas profundezas do oceano. Atualizado em 21 de agosto de 2026, um estudo publicado na revista científica iScience detalha como essa espécie manipula a luz para se tornar um predador mais eficiente.
O tubarão-kitefin emprega uma tática de dupla função com sua bioluminescência. A luz emitida pela parte inferior de seu corpo, a barriga, serve como camuflagem, um fenômeno conhecido como contra-iluminação. Segundo pesquisadores da Universidade Católica da Lovaina, na Bélgica, o brilho azul-esverdeado do animal corresponde à intensidade da luz que chega da superfície, fazendo com que sua silhueta desapareça para presas que olham de baixo para cima.
Contudo, a luz não se limita à sua barriga. O brilho se espalha para as laterais, especialmente na região do focinho e mandíbula, funcionando como um "holofote" ou "farol". Essa iluminação lateral ajuda o tubarão a enxergar e localizar presas no escuro. Essa estratégia é crucial, pois o kitefin é considerado o tubarão de natação mais lenta já registrado, mas se alimenta de animais ágeis como lulas e outros peixes.
A tática de caça, apelidada de "hipótese do holofote" pelos cientistas, funciona da seguinte forma:
O estudo, realizado na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia, analisou oito espécimes de tubarão-kitefin. Com até 1,8 metro de comprimento, o Dalatias licha é o maior vertebrado bioluminescente conhecido. Sua pele é coberta por milhões de fotóforos, órgãos emissores de luz que produzem um brilho azul-esverdeado com pico de emissão próximo a 491 nanômetros, ideal para as condições de luz em profundidades de 480 a 540 metros, onde costuma viver.
A pesquisa reforça que a bioluminescência em animais de águas profundas pode ter funções mais complexas do que apenas defesa ou atração de parceiros. No caso do kitefin, que não possui predadores naturais conhecidos, a evolução dessa habilidade parece ter se voltado para a otimização da caça.
O maior tubarão luminoso do mundo é o tubarão-kitefin (Dalatias licha). Ele pode atingir até 1,80 metro de comprimento, o que o torna o maior vertebrado com capacidade de bioluminescência conhecido pela ciência.
Ele produz luz através de pequenos órgãos em sua pele chamados fotóforos. Embora o mecanismo químico exato ainda seja investigado para esta espécie, estudos indicam que o hormônio melatonina está envolvido no controle da emissão de luz.
O tubarão-kitefin habita as profundezas do oceano, na chamada zona mesopelágica ou "zona crepuscular", que fica entre 200 e 1.000 metros de profundidade. Nessa região, a luz solar é extremamente escassa.
A descoberta sobre o tubarão-kitefin revela uma notável adaptação evolutiva. Mais do que um simples espetáculo da natureza, sua capacidade de brilhar é uma ferramenta multifuncional que o transforma em um predador furtivo e eficaz nas profundezas escuras do oceano, combinando a arte da invisibilidade com a precisão de um holofote para garantir sua sobrevivência.
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