Uma descoberta de dentes de tubarão fossilizados no Deserto Ocidental do Egito revela que a região já foi um mar tropical. Entenda como esses predadores marinhos foram parar em uma área hoje tão árida.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A descoberta de fósseis de tubarões no deserto do Egito é explicada pelo fato de que a região, hoje árida, já foi um mar tropical quente durante o período Cretáceo Superior, entre 100 e 66 milhões de anos atrás. Atualizado em 28 de agosto de 2026, um estudo recente detalha a identificação de dentes fossilizados que ampliam o conhecimento sobre a vida marinha que prosperou no norte da África.
Durante o Cretáceo, o planeta era mais quente e os níveis dos oceanos, mais altos, o que mantinha grande parte do norte da África submersa. Segundo pesquisadores da Universidade do Cairo, a área do Planalto de Abu-Tartur, no Deserto Ocidental do Egito, era um desses ambientes marinhos. Com o tempo, sedimentos ricos em matéria orgânica se acumularam, formando grandes depósitos de fosfato, rochas que são ideais para a preservação de fósseis.
Essas camadas geológicas, conhecidas como Formação Duwi, já haviam revelado fósseis de peixes, tartarugas e répteis marinhos. A nova pesquisa, publicada na revista Cretaceous Research, focou na busca por vestígios de tubarões e obteve sucesso, conforme detalhado em publicações como a Revista Galileu e o portal Metrópoles.
A equipe de paleontólogos encontrou 14 dentes fossilizados na região da mina de Abu-Tartur. A análise desses fósseis permitiu identificar cinco espécies de tubarões extintos que são novos registros para a área, elevando para sete o número total de espécies conhecidas no local, que foi apelidado de "cemitério de tubarões".
Entre as descobertas mais notáveis estão espécies que nunca haviam sido documentadas no Egito, como a Serratolamna serrata e a Squalicorax bassanii. O achado mais significativo, no entanto, foi o do Scapanorhynchus raphiodon, um parente antigo do atual tubarão-duende. Este é o primeiro registro dessa espécie em todo o continente africano, o que ajuda a reconstruir o ecossistema da época.
Porque durante o período Cretáceo Superior (entre 100 e 66 milhões de anos atrás), a região do Deserto Ocidental do Egito estava submersa por um mar tropical quente e biologicamente produtivo.
É o apelido dado ao Planalto de Abu-Tartur devido à alta concentração de dentes de tubarão fossilizados. No entanto, não se trata de uma morte em massa, mas de um acúmulo de fósseis ao longo de milhões de anos em uma camada de rocha com baixa sedimentação, chamada de "seção condensada".
A pesquisa mais recente identificou cinco novas espécies para a região, elevando o número total de espécies de tubarões conhecidas no local para sete.
A descoberta dos dentes de tubarão no deserto egípcio é uma janela para um passado geológico e biológico muito diferente do atual. Os fósseis não apenas confirmam que um mar cobria a região, mas também revelam a complexidade e a riqueza de um ecossistema marinho que sustentava múltiplos predadores de topo, reescrevendo parte da história paleontológica da África.
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