Arqueólogos descobrem tumba de 1.700 anos no Egito com um poema em grego de 19 versos. A mensagem, que começa com "Escuta, pai!", foi escrita por um filho.
Olyvio Marques
Editor · Ciência · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma descoberta arqueológica no Egito revelou uma tumba de aproximadamente 1.700 anos contendo um raro poema fúnebre escrito em grego antigo por um filho para seu pai. Atualizado em 3 de outubro de 2026. Encontrada na área de Bir al-Shughala, no Oásis de Dakhla, a inscrição de 19 versos começa com a tocante frase "Escuta, pai!", oferecendo um vislumbre íntimo do luto familiar durante o período romano no Egito.
O poema é uma homenagem de um filho chamado Sarapion ao seu pai, Pisechtes, que, segundo análises preliminares, pode ter sido um juiz. O texto, inscrito em uma placa de pedra, elogia o falecido por sua bondade e sabedoria, descrevendo-o como um "conselheiro na vida", conforme relatado pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.
Escrito em um grego literariamente sofisticado, com gramática semelhante à dos épicos de Homero, o poema termina com um apelo direto de Sarapion para que o pai aceite as oferendas e rituais funerários oferecidos por seus familiares. A presença de marcas diacríticas, como acentos, indica um alto nível de instrução do autor.
A tumba é um exemplo notável da coexistência de diferentes tradições culturais. Enquanto o poema emocional foi escrito em grego, as paredes da câmara funerária contêm elementos puramente egípcios, como feitiços e inscrições hieroglíficas para proteger os mortos.
A estrutura da tumba, construída em calcário e com um topo em formato de pirâmide, inclui uma escadaria de 14 degraus que leva a uma entrada decorada com um disco solar alado e representações do deus Osíris. As inscrições fazem referência ao Amduat, um antigo texto egípcio sobre a jornada do deus sol pelo submundo.
Dentro da tumba, os arqueólogos também encontraram uma moeda de prata com a imagem do imperador romano Constantino, que governou de 306 a 337 d.C. A presença da moeda ajuda a datar o período de uso do sepulcro, mas, apesar do papel de Constantino na legalização do cristianismo, não foram encontrados símbolos ou decorações cristãs no local.
A tumba foi descoberta na área arqueológica de Bir al-Shughala, localizada no Oásis de Dakhla, uma região que abrigava a antiga cidade de Mothis durante os períodos romano e bizantino no Egito.
Pisechtes era o homem para quem a tumba foi construída, possivelmente um magistrado ou juiz. Sarapion era seu filho, que compôs o poema de 19 versos em grego como uma homenagem e lamento pela morte do pai.
A descoberta é significativa por reunir, em um único local, elementos das culturas egípcia, grega e romana. Ela evidencia a diversidade cultural do Egito sob o domínio romano e oferece um raro registro pessoal e emocional do luto e das relações familiares há 1.700 anos.
A tumba de Pisechtes, com o poema de seu filho Sarapion, representa mais do que um achado arqueológico; é um testemunho da complexa interação de culturas e da universalidade do amor e da perda familiar. A combinação de hieróglifos egípcios, poesia grega e artefatos romanos em um único sepulcro enriquece o conhecimento sobre a vida e a morte no Egito antigo.
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