Comandante da operação mais letal da história do Rio, Coronel Marcelo Corbage deixa o Bope. Saiba quem assume e o contexto da troca na tropa de elite.
Olyvio Marques
Editor · Rio de Janeiro · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O coronel Marcelo Corbage foi exonerado do comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (24), com validade retroativa ao dia 18 de junho. Atualizado em 24 de junho de 2026.
A troca no comando ocorre meses após Corbage liderar a "Operação Contenção", considerada a mais letal da história do estado, que resultou em 122 mortes nos complexos do Alemão e da Penha em outubro de 2025. O novo comandante da tropa de elite é o tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro.
O tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro, que estava no comando do 1º BPM (São Gonçalo), assume a liderança do Bope. De acordo com o jornal O Dia, Monteiro ingressou na corporação em 2001 e possui uma vasta formação, incluindo o Curso de Operações Especiais (Coesp), especializações no Exército e na Força Aérea, além de ser bacharel em Direito e possuir MBA em Gestão e Governança em Segurança Pública. Ele já atuou como subcomandante do próprio Bope anteriormente.
Embora o motivo da exoneração não tenha sido informado oficialmente, a saída de Corbage está diretamente ligada à sua gestão durante a "Operação Contenção". Realizada em 28 de outubro de 2025, a ação mobilizou policiais civis e militares contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha.
O balanço divulgado pelo governo do Rio apontou 122 mortos, sendo cinco policiais e 117 supostos criminosos, conforme noticiado pelo Jornal de Brasília. A operação gerou controvérsias, incluindo o baixo uso de câmeras corporais pelos agentes — Corbage afirmou em depoimento ao Ministério Público que apenas 77 dos 215 policiais do Bope que participaram da ação usavam o equipamento.
A carreira de Marcelo Corbage é marcada por outros episódios polêmicos. Antes de comandar a operação mais letal do estado, ele já havia sido investigado por suspeitas de corrupção e envolvimento em um caso de racismo.
Em 2015, Corbage foi afastado do Bope e investigado sob suspeita de desviar R$ 1,8 milhão de uma facção criminosa durante uma operação no Morro da Covanca. Segundo a CSP-Conlutas, a investigação foi arquivada no ano seguinte por falta de indícios de crime ou transgressão disciplinar.
Cinco anos depois, em 2020, uma empresa de segurança da qual Corbage era sócio, a Moura Corbage Serviços Gerais, foi envolvida em um caso de racismo no shopping Ilha Plaza. Funcionários da empresa abordaram um jovem negro de forma violenta. Reportagens da época revelaram que a empresa operava de forma irregular, sem a autorização necessária da Polícia Federal para prestar serviços de segurança armada.
A publicação oficial não informa o motivo. No entanto, sua exoneração acontece após ele comandar a "Operação Contenção" em 2025, a mais letal da história do Rio, que resultou em 122 mortes e gerou grande repercussão negativa.
O tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro, que anteriormente comandava o 1º BPM (São Gonçalo), é o novo líder do Batalhão de Operações Policiais Especiais.
A exoneração do coronel Marcelo Corbage do comando do Bope e a nomeação do tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro representam uma mudança significativa na liderança da tropa de elite da PM do Rio. A troca ocorre em um contexto de forte escrutínio sobre as ações policiais, especialmente após a operação de alta letalidade nos complexos do Alemão e da Penha, que marcou a gestão de Corbage.