Decisão do STJ pode anular empréstimos consignados do INSS com irregularidades, obrigando bancos a restituir valores. Saiba quem tem direito e como agir.
Olyvio Marques
Editor · Finanças Pessoais · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Aposentados e pensionistas do INSS podem ter direito à devolução de parcelas de empréstimos consignados descontadas indevidamente. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçou que os bancos são responsáveis por comprovar a validade da contratação, especialmente com consumidores analfabetos, e o simples uso de cartão e senha pode não ser suficiente. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A Terceira Turma do STJ analisou o caso de um consumidor analfabeto que contestava diversas operações bancárias, incluindo empréstimos, lançadas em seu nome. A decisão, no Recurso Especial 2.016.029, estabeleceu que o uso de cartão com chip e senha pessoal em caixas eletrônicos não substitui as formalidades legais exigidas para contratos escritos com pessoas que não sabem ler ou escrever, conforme apurado pela Agência GBC.
Para esses casos, a legislação, como o artigo 595 do Código Civil, exige procedimentos específicos para garantir que o consumidor compreendeu os termos do acordo. Entre as formalidades estão:
O STJ concluiu que, sem essas garantias, o contrato é nulo. Com isso, os descontos se tornam indevidos e devem ser restituídos, segundo o Portal Tempo Novo.
A decisão do STJ serve como um importante precedente, mas não significa o cancelamento automático de todos os empréstimos consignados. O direito à devolução se aplica a casos em que o beneficiário consegue provar que houve irregularidade na contratação. O foco principal são os consumidores em situação de vulnerabilidade, como pessoas analfabetas, cujos contratos não seguiram as formalidades legais.
Aposentados e pensionistas que se encontrem em situações semelhantes podem contestar a cobrança. Se o banco não conseguir apresentar a documentação que comprove a contratação válida, a Justiça pode determinar:
É importante notar que a restituição não é sempre integral. O tribunal determinou a "restituição simples", o que permite a compensação com valores que o banco eventualmente tenha depositado na conta do consumidor, de acordo com o ID Previdenciário.
Se você suspeita de um desconto indevido em seu benefício, o primeiro passo é a verificação. Siga estas etapas para contestar uma possível irregularidade:
Caso o banco não resolva a situação de forma amigável, o beneficiário pode buscar o Juizado Especial Cível para pedir a anulação do contrato e a devolução dos valores, conforme orienta a Istoé Dinheiro.
Não. A decisão do STJ não cancela automaticamente todos os contratos. Ela se aplica a casos específicos onde é comprovada a irregularidade na contratação, especialmente com consumidores vulneráveis, e serve de referência para futuras ações judiciais.
Segundo o STJ, para consumidores analfabetos, o uso de cartão e senha não é suficiente para validar um contrato escrito. A lei exige formalidades adicionais, como a assinatura a rogo e a presença de testemunhas, para garantir que a pessoa compreendeu e consentiu com a operação.
Não necessariamente. A Justiça determinou a restituição dos valores descontados, mas autorizou a compensação com o dinheiro que o banco comprovadamente depositou na conta do cliente. O cálculo final considerará o que foi recebido pelo consumidor e o que foi pago em parcelas.
A decisão do Superior Tribunal de Justiça representa um avanço na proteção dos direitos de aposentados e pensionistas, colocando sobre os bancos o ônus de provar a legalidade das contratações de crédito consignado. A medida é um alerta para que as instituições financeiras reforcem seus procedimentos de segurança, especialmente ao lidar com consumidores vulneráveis. Para os beneficiários, a principal orientação é monitorar de perto seus extratos e agir rapidamente ao identificar qualquer desconto não reconhecido.
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Decisão do STJ beneficia aposentados e pensionistas com empréstimos irregulares, especialmente analfabetos. Saiba quem tem direito à devolução e como solicitar.
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