Grandes redes como Drogasil, Raia e Supernosso estão abandonando a jornada 6x1. Entenda por que a escala 5x2 virou estratégia para reter talentos.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Grandes redes de supermercados e farmácias no Brasil começaram a substituir a tradicional escala de trabalho 6x1 (seis dias de trabalho por um de folga) pelo modelo 5x2, que garante dois dias de descanso semanais. Atualizado em 23 de julho de 2026, o movimento é liderado por gigantes como a RD Saúde (Drogasil e Raia) e o Grupo Supernosso, que se antecipam a uma possível mudança na legislação trabalhista para reduzir a rotatividade e atrair profissionais.
A decisão de migrar para a escala 5x2 é estratégica e motivada principalmente pela dificuldade em contratar e reter funcionários. De acordo com as empresas, a jornada com apenas uma folga semanal aumenta o desgaste e torna as vagas menos atraentes, especialmente para profissionais qualificados. A alta rotatividade gera custos com rescisões, recrutamento e treinamento constante de novas equipes.
Companhias como a RD Saúde e o Grupo Supernosso identificaram que oferecer duas folgas semanais funciona como um diferencial competitivo, mesmo sem alterar a carga horária total de 44 horas semanais. A expectativa é que funcionários mais descansados faltem menos, permaneçam mais tempo no emprego e ofereçam um melhor atendimento aos clientes, conforme apurado por veículos como o Correio de Minas e o Portal Tempo Novo.
O movimento, embora crescente, avança em ritmos diferentes entre os setores de farmácia e supermercados. Enquanto algumas redes já concluíram a transição, outras ainda estão em fase de testes e expansão gradual.
A RD Saúde, uma das maiores do setor farmacêutico, implementou a escala 5x2 em toda a sua operação, alcançando mais de 3.500 farmácias das redes Drogasil e Raia em todo o país. A transição começou no segundo semestre de 2025, inicialmente para cargos de liderança e farmacêuticos, e foi expandida para todos os funcionários das lojas no início de 2026. A empresa manteve a jornada de 44 horas semanais, redistribuindo as horas nos cinco dias de trabalho.
No setor supermercadista, o Grupo Supernosso, de Minas Gerais, iniciou um projeto-piloto em três lojas com cerca de 500 funcionários. Após resultados positivos, a empresa anunciou a expansão do modelo 5x2 para suas 45 unidades, o que deve beneficiar aproximadamente 4.800 trabalhadores até o fim de 2026. No Supernosso, a jornada diária foi ajustada de 7h20 para 8h48 para compensar a folga adicional.
No Espírito Santo, o Grupo Coutinho, dono da rede Extrabom, também testa a escala 5x2 em três de suas lojas. A empresa avalia os resultados antes de decidir sobre uma possível ampliação para as demais unidades, o que poderia impactar mais de 5 mil funcionários.
Não. A escala 6x1 continua permitida pela legislação brasileira. Existe uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) que prevê a redução da jornada para 40 horas semanais com dois dias de descanso. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas até julho de 2026 ainda aguardava análise e votação no Senado. As mudanças feitas pelas empresas são voluntárias.
Não necessariamente. Na maioria dos casos, como na RD Saúde e no Grupo Supernosso, a carga horária semanal de 44 horas foi mantida. Para isso, a jornada diária de trabalho foi aumentada para compensar o segundo dia de folga, distribuindo as horas ao longo dos cinco dias de expediente.
A transição da escala 6x1 para a 5x2 em grandes redes de supermercados e farmácias representa uma mudança significativa no varejo brasileiro. Impulsionada pela necessidade de reter talentos e melhorar as condições de trabalho, a tendência mostra que o mercado está se antecipando a uma possível alteração legislativa, transformando a qualidade de vida dos funcionários em uma vantagem competitiva.
É possível pagar com Pix nos EUA? Entenda como a tecnologia funciona em estabelecimentos parceiros, quais as taxas e se vale a pena para turistas brasileiros.
Conheça a história de Eddie Smith Jr., que abriu mão de uma oferta bilionária para entregar o controle de sua empresa aos colaboradores que a salvaram da falência. Saiba os motivos por trás da decisão.
A centenária Pearson's Candy Company, criadora do Salted Nut Roll, encerrará as atividades em St. Paul devido a graves dificuldades financeiras. Saiba o futuro da marca.
Consumidores notaram mudanças nos biscoitos Piraquê, como Goiabinha e Maizena. Saiba o que é reduflação e por que a M. Dias Branco alterou os produtos.