Em 1977, um príncipe saudita gastou até US$ 8.500 para levar um bloco de gelo do Alasca a Iowa. Entenda o ambicioso projeto para combater a seca no deserto.
Olyvio Marques
Editor · Curiosidades · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em outubro de 1977, um inusitado bloco de gelo de 1,1 tonelada, vindo do Alasca, chegou à cidade de Ames, Iowa, a centenas de quilômetros do mar. Financiada pelo príncipe saudita Mohammed Al-Faisal, a operação custou entre US$ 7.500 e US$ 8.500 e tinha um objetivo audacioso: provar que era possível rebocar icebergs da Antártida para fornecer água doce a regiões desérticas. Atualizado em 15 de agosto de 2026.
O transporte do bloco de gelo foi a atração principal da Primeira Conferência Internacional sobre a Utilização de Icebergs, realizada na Universidade Estadual de Iowa. O evento reuniu mais de 175 cientistas, engenheiros e meteorologistas de 18 países para debater a viabilidade de usar gelo polar como fonte de água potável, conforme relatado por fontes da época.
O grande impulsionador foi o príncipe Mohammed Al-Faisal, que na época chefiava o programa de dessalinização da Arábia Saudita. Buscando alternativas mais baratas à conversão de água do mar, ele financiou a conferência com US$ 50.000, complementados por US$ 25.000 da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
A operação para levar o bloco de gelo do Glaciar Portage, no Alasca, até Iowa foi complexa e rendeu à peça o apelido de "o cubo de gelo mais caro do mundo". A jornada, segundo documentos históricos, envolveu:
Ao chegar, o bloco de aproximadamente 1,8 por 1,5 metros foi armazenado em uma câmara fria e exibido aos participantes e ao público local, que, segundo relatos, chegou a levar fragmentos para casa como souvenir.
A demonstração em Iowa era apenas um símbolo de um plano muito maior. O príncipe Al-Faisal e sua empresa, a Iceberg Transport International, propunham capturar um iceberg antártico de 85 milhões de toneladas e rebocá-lo por milhares de quilômetros até a Arábia Saudita. A ideia era que, mesmo com o derretimento parcial, a água resultante seria mais barata que a obtida por dessalinização, um processo com altíssimo custo energético.
Apesar do otimismo inicial, com o príncipe prevendo ter um iceberg na costa saudita em três a cinco anos, o projeto foi abandonado no início dos anos 1980. Os desafios técnicos e econômicos se mostraram intransponíveis na época. Entre os principais obstáculos estavam:
Embora a ideia tenha sido arquivada, ela ressurge periodicamente em debates sobre a escassez de água, como durante a crise hídrica na Cidade do Cabo em 2018. O príncipe Mohammed Al-Faisal faleceu em 2017, sem ver seu plano se concretizar.
O objetivo era servir como uma prova de conceito e atração central em uma conferência científica para demonstrar a viabilidade de manusear e transportar grandes massas de gelo, visando o plano de rebocar icebergs da Antártida para abastecer regiões desérticas com água doce.
A operação de transporte do bloco de gelo de 1,1 tonelada do Alasca para Iowa custou entre US$ 7.500 e US$ 8.500 em valores de 1977, o que lhe rendeu o apelido de "o cubo de gelo mais caro do mundo".
Parte do gelo antigo foi usada para gelar bebidas no banquete do evento. O restante foi exibido ao público, que levou pedaços como lembrança. Ao final dos cinco dias de conferência, o bloco havia derretido quase completamente.
O episódio do iceberg em Iowa permanece como um capítulo fascinante e audacioso na história da busca por soluções para a escassez de água. Embora o projeto de rebocar icebergs para o deserto tenha se mostrado inviável com a tecnologia da época, ele simboliza a criatividade e a escala de engenharia que a crise hídrica global inspira. Quase 50 anos depois, a ideia ainda é revisitada, mostrando que o desafio que o príncipe Al-Faisal tentou resolver continua mais presente do que nunca.
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