A ascensão de Augusto Cury nas pesquisas presidenciais reconfigura o cenário de 2026. Entenda por que, segundo o cientista político Marco Antonio Teixeira, o candidato do Avante atrai o voto anti-PT e se torna uma ameaça direta para Flávio Bolsonaro.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O crescimento do escritor Augusto Cury (Avante) na corrida presidencial de 2026 representa uma ameaça maior para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) do que para a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Atualizado em 2 de setembro de 2026, a avaliação é do cientista político Marco Antonio Teixeira, que aponta que o discurso de Cury contra a polarização atrai eleitores que apoiam Flávio mais como uma estratégia para derrotar o PT do que por identificação ideológica.
Segundo a análise de Teixeira, existe uma parcela significativa do eleitorado que opta por Flávio Bolsonaro não por concordar com suas pautas, mas por enxergá-lo como "a melhor estratégia de derrotar o PT". É exatamente nesse grupo que a candidatura de Augusto Cury encontra espaço para avançar, oferecendo uma alternativa que rejeita a polarização e busca unificar o país.
Cury constrói sua plataforma combinando pautas como capitalismo e meritocracia com uma forte preocupação social, dialogando diretamente com eleitores independentes e de centro-direita que se sentem desconfortáveis com os extremos políticos, conforme aponta a análise publicada pela VEJA.
A estratégia do candidato do Avante parece ressoar com públicos específicos que podem ser decisivos na eleição. A análise de Marco Antonio Teixeira destaca três segmentos principais:
O avanço de Cury não é apenas teórico e já se reflete nos números. Levantamentos recentes mostraram um salto significativo do candidato, que se tornou o primeiro nome da chamada "terceira via" a atingir dois dígitos em 2026. Na pesquisa BTG/Nexus, ele foi de 2% para 11%, enquanto na AtlasIntel, subiu de 1,6% para 7,8%, de acordo com o Metrópoles. Dados da AtlasIntel também indicam que Cury avança com mais força entre quem votou em Jair Bolsonaro em 2022 (quase 10%) do que entre os eleitores de Lula (cerca de 4%).
O crescimento foi impulsionado por sua participação no debate da Band em 23 de agosto, que gerou grande repercussão e um aumento expressivo nas buscas por seu nome no Google e no engajamento em redes sociais, conforme reportado por diversos veículos, incluindo o portal Ver-o-Fato.
Embora Cury também atraia uma pequena parcela de eleitores de Lula, especialmente em segmentos como mulheres e eleitores de baixa renda, a análise e os dados das pesquisas indicam que o impacto principal é sobre a base de Flávio Bolsonaro. A campanha petista, no entanto, monitora o movimento com atenção, segundo o Valor Econômico.
A ascensão de Augusto Cury reconfigura a disputa presidencial ao oferecer uma alternativa viável para o eleitorado anti-PT que não se identifica plenamente com Flávio Bolsonaro. Seu discurso moderado e focado na redução de conflitos o posiciona como o principal beneficiário do cansaço com a polarização, representando, segundo analistas, um risco direto e imediato para a candidatura do PL.
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