Instituto divulgará na próxima quinta-feira o primeiro levantamento após embate sobre projeto que retiraria título da santa. Veja o cenário anterior.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Instituto Datafolha divulgará na próxima quinta-feira a primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência após a intensa polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Atualizado em 30 de setembro de 2026, o levantamento medirá o possível impacto eleitoral da controvérsia, que foi impulsionada pela associação incorreta do senador a um projeto de lei arquivado há quase 20 anos para retirar o título da santa como padroeira do Brasil.
Na pesquisa anterior do instituto, divulgada na semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 40% das intenções de voto, em empate técnico com Flávio Bolsonaro, que registrava 39%, segundo o portal Brasil em Folhas. Em uma simulação de segundo turno, Lula tinha 47% contra 45% de Flávio, também configurando empate técnico dentro da margem de erro.
O novo levantamento, encomendado pelo grupo Globo e pela Folha de S. Paulo, tem como objetivo capturar a percepção do eleitorado após dias de intenso debate nas redes sociais. Os pesquisadores irão a campo entre 28 de setembro e 1º de outubro para entrevistar 2.506 eleitores em todo o país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral foi feito sob o código BR-08039/2026, conforme divulgado pelo O Globo.
A controvérsia começou após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes, na GloboNews, que foi interpretado nas redes como uma afirmação de que Flávio Bolsonaro apoiava uma iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A emissora posteriormente corrigiu a informação e pediu desculpas.
O projeto em questão é o PL 2.623 de 2007, de autoria do então deputado Victório Galli, que foi arquivado pela Câmara em 2008. Flávio Bolsonaro não tem qualquer relação com a proposta, como destacou a Gazeta do Povo. O candidato negou a acusação em suas redes sociais, classificando-a como "fake news" da "milícia do PT".
O episódio se tornou o terceiro maior evento político monitorado em 2026 nas redes sociais, alcançando 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações, segundo dados do Instituto DX publicados pelo Poder360. O debate teve dois picos: o primeiro com a disseminação da acusação e o segundo após uma decisão do TSE que determinou a remoção de conteúdos.
Curiosamente, a narrativa de combate à desinformação parece ter tido mais força que a própria acusação. Um levantamento da AP Exata, divulgado pelo Diário do País, indicou que as críticas à disseminação do boato representaram 25,9% das menções, enquanto a indignação com a suposta ameaça à padroeira ficou em segundo lugar, com 19,8%. Isso sugere que a campanha de Flávio Bolsonaro pode ter sido eficaz em enquadrar o caso como desinformação.
A pesquisa será divulgada na próxima quinta-feira. O trabalho de campo, com as entrevistas, ocorre entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro de 2026.
Trata-se do Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do ex-deputado Victório Galli. A proposta, que não tem relação com Flávio Bolsonaro, pretendia alterar a expressão "Padroeira do Brasil" para "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O projeto foi rejeitado e arquivado em 2008.
Na última pesquisa Datafolha, Lula (PT) tinha 40% das intenções de voto no primeiro turno, e Flávio Bolsonaro (PL) tinha 39%, caracterizando um empate técnico. No segundo turno, os números eram 47% para Lula e 45% para Flávio.
A nova pesquisa Datafolha é aguardada com grande expectativa pelo mercado político, pois será o primeiro termômetro robusto sobre o impacto de uma das maiores controvérsias digitais do ano eleitoral. Os resultados poderão indicar se a polêmica alterou a percepção dos eleitores, especialmente entre os católicos, ou se a estratégia de enquadrar o episódio como "fake news" foi bem-sucedida em neutralizar danos à campanha de Flávio Bolsonaro.
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