Ministro do STF aponta suspeita sobre origem de dinheiro vivo apreendido com líder do PL. Investigação da PF questiona venda de imóvel e apura peculato.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em decisão que autorizou nova fase de uma operação da Polícia Federal, o ministro do STF Flávio Dino afirmou que os R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendidos com o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) podem ter origem em desvio de recursos públicos. A investigação aponta inconsistências na justificativa do parlamentar, que alega que o valor veio da venda de um imóvel. Atualizado em 3 de julho de 2026.
Ao autorizar a terceira fase da Operação Rent a Car, o ministro Flávio Dino destacou a gravidade da suspeita. "Essa hipótese criminal, grave por si só, ganha contornos significativamente mais expressivos a partir do momento em que a investigação indica a possibilidade de que esses valores possam ser, ainda que em parte, fruto de peculato atribuído a deputado federal", escreveu o ministro em sua decisão, conforme reportado pela imprensa.
A investigação da PF, que mira o desvio de recursos da cota parlamentar, ganhou nova dimensão após a apreensão do dinheiro em um endereço ligado a Sóstenes em dezembro de 2025.
A defesa de Sóstenes Cavalcante alega que o dinheiro é proveniente da venda de uma casa em Ituiutaba (MG). No entanto, a Polícia Federal identificou indícios que contradizem essa versão. A escritura de venda do imóvel só foi registrada em cartório no dia 30 de dezembro de 2025, ou seja, 11 dias após a PF ter apreendido o dinheiro, em 19 de dezembro, o que sugere uma tentativa de "fabricar um lastro retroativo", segundo os investigadores.
A PF também apontou, com base em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que não foi identificado nenhum saque bancário do suposto comprador, o advogado Thiago Ferreira de Paula, em data compatível com a transação. Além disso, a análise revelou um "quadro financeiro atípico" em nome do advogado, com movimentações a crédito 17 vezes superiores à sua renda cadastrada, levantando mais dúvidas sobre a origem dos recursos.
A nova fase da operação, batizada de "Galho Fraco II", cumpriu seis mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. Os alvos foram pessoas e empresas ligadas a Sóstenes, incluindo os advogados e irmãos Jonas Keslley e Jecy Kenne Umbelino.
Os investigadores chegaram a eles após rastrear etiquetas bancárias encontradas nos pacotes de dinheiro apreendidos. A PF suspeita que os R$ 468 mil façam parte de um montante de R$ 15,5 milhões movimentados em mais de 80 saques em espécie pelo grupo empresarial dos irmãos. O deputado nega irregularidades e afirma ser vítima de perseguição política por liderar o maior partido de oposição.
O deputado Sóstenes Cavalcante afirma que os R$ 468 mil em espécie vieram da venda de um imóvel em Minas Gerais. Ele sustenta que o valor é lícito, foi declarado à Receita Federal e que não o depositou no banco por "correria" do trabalho.
A PF suspeita da versão porque a escritura de venda do imóvel só foi registrada em cartório 11 dias após a apreensão do dinheiro. Além disso, análises do Coaf não identificaram saques do suposto comprador compatíveis com o valor e apontaram movimentações financeiras atípicas em seu nome.
A operação mirou pessoas e empresas do entorno do deputado, incluindo os advogados Thiago Ferreira de Paula (suposto comprador do imóvel) e os irmãos Jonas Keslley e Jecy Kenne Umbelino, cujas empresas teriam realizado saques milionários em espécie que podem estar ligados ao dinheiro apreendido.
A decisão do ministro Flávio Dino reforça as suspeitas da Polícia Federal de que o dinheiro apreendido com o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, pode ser fruto de desvio de verba pública. Enquanto a investigação avança sobre as inconsistências da venda do imóvel e a rede financeira ligada ao parlamentar, Sóstenes nega as acusações e as classifica como perseguição política.
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