Mensagens revelam que Daniel Vorcaro afirmou que Celina Leão participou do acordo BRB-Master, chamando a oposição pública dela de "jogo político". Entenda.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em mensagens de abril de 2025 que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), participou da negociação para a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A declaração, revelada em material da operação Compliance Zero, contradiz a versão pública da governadora, que sempre negou envolvimento. Atualizado em 15 de setembro de 2026.
Em resposta, o Governo do Distrito Federal (GDF) nega a participação e sustenta que as próprias mensagens comprovam que Celina Leão se opunha ao negócio meses antes da operação policial que prendeu Vorcaro.
As mensagens foram trocadas em 5 de abril de 2025 entre Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, oito dias após o conselho do BRB aprovar a compra de 58% das ações do Master. Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, Miranda enviou a Vorcaro uma reportagem na qual Celina, então vice-governadora, afirmava não ter sido consultada sobre o negócio.
O publicitário comentou: "A Celina eu conheço MUITO BEM. Ela agora tá querendo aparecer porque ficou de fora da operação". Vorcaro, então, contestou: "Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política", conforme revelado em reportagens do G1 e da Folha.
Na sequência da conversa, Vorcaro minimizou o impacto político, mas demonstrou preocupação com a reputação de sua instituição. "Discussão política da operação não me preocupa. Se for esse o novo foco. Problema é a descredibilização minha e do Master. Isso sim temos que atacar", disse o ex-banqueiro.
Procurada, a governadora Celina Leão, por meio de sua assessoria, afirmou que as declarações reforçam sua posição contrária ao negócio desde o início. Segundo nota do GDF, "não é verdade que a governadora tenha participado de qualquer tipo de negociação" e que as conversas de terceiros mostram que ela já se manifestava contra a operação em abril de 2025, como registrado pela imprensa na época.
A defesa da governadora argumenta que não existem mensagens, reuniões ou qualquer registro que comprovem sua participação, e que ela não pode ser responsabilizada pelo que Vorcaro, hoje preso e investigado, diz a seu respeito, conforme nota publicada pelo Jornal de Brasília.
A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB está no centro de uma investigação sobre um rombo bilionário no banco público. Investigações da Polícia Federal apontam que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master, dos quais aproximadamente R$ 12,2 bilhões seriam referentes a títulos de crédito falsos, ou seja, sem valor.
O Governo do Distrito Federal, principal acionista do BRB, busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com garantia da União para cobrir o prejuízo. A situação financeira do banco é delicada, com risco de intervenção do Banco Central, uma vez que não publica balanços completos desde agosto de 2025.
Em uma mensagem privada de 2025, Daniel Vorcaro afirmou que Celina Leão "não ficou de fora" da negociação para a compra do Banco Master pelo BRB, sugerindo que a oposição pública dela era um "jogo para se preservar na política".
Celina Leão nega veementemente qualquer participação. Sua defesa argumenta que as mensagens, na verdade, provam que sua oposição ao negócio era conhecida e consistente, tendo se manifestado publicamente contra a operação na época.
Segundo investigações da Polícia Federal, o BRB transferiu R$ 17 bilhões ao Master, sendo que R$ 12,2 bilhões seriam em títulos falsos, o que gerou um rombo bilionário no banco público do Distrito Federal.
A revelação das mensagens de Daniel Vorcaro adiciona uma nova camada à crise do BRB, colocando em confronto a versão do ex-banqueiro com a defesa da governadora Celina Leão. Enquanto Vorcaro sugere um envolvimento velado, Leão se ampara em seu histórico público de oposição ao negócio para refutar as alegações, em meio a um escândalo financeiro que ameaça a estabilidade do principal banco do Distrito Federal.
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