Ministro da Defesa, José Múcio, afirma que Brasil não tem equipamento nem dinheiro para resistir a um ataque americano, defendendo mais verbas para as Forças Armadas.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira (4) que, em um cenário hipotético de invasão do Brasil pelos Estados Unidos, a melhor opção seria "abrir o portão", citando a falta de equipamentos e recursos financeiros para um confronto. A declaração, que segundo relatos arrancou risadas dos presentes, ocorreu durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do transporte marítimo. Atualizado em 4 de agosto de 2026.
Ao defender a necessidade de maior previsibilidade orçamentária para as Forças Armadas, Múcio usou a hipérbole para ilustrar a fragilidade da defesa nacional. Segundo o ministro, ao ser questionado por jornalistas sobre como agiria em uma invasão americana, sua resposta foi direta: "Abro o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão", disse, conforme noticiado por veículos como O Globo e g1.
Múcio comparou o investimento no setor a um plano de saúde, argumentando que "a gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar". Ele ressaltou que o objetivo não é preparar o país para conflitos, mas sim garantir capacidade de dissuasão e fomentar o desenvolvimento tecnológico nacional.
A fala do ministro ocorre em um contexto de redução de investimentos na pasta. Dados do sistema Siga Brasil, divulgados pelo jornal O Globo, indicam que entre 2023 e 2026 foram destinados R$ 40,7 bilhões para as Forças Armadas, um valor 11% inferior aos R$ 45,7 bilhões aplicados no governo anterior (2019-2022). Atualmente, o Brasil destina cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Defesa, percentual considerado baixo por Múcio.
A declaração de Múcio também contrasta com discursos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em convenção do PT, Lula defendeu que a esquerda pare de tratar o investimento militar como pauta secundária. Anteriormente, o presidente já havia afirmado que a defesa seria prioridade, citando que "está cheio de maluco no mundo", em uma aparente referência a Donald Trump, e que o Brasil não seria "pego de surpresa". Apesar disso, o Ministério da Defesa foi a pasta com o maior volume de recursos bloqueados pelo atual governo, segundo o Estadão.
José Múcio usou a frase de efeito para ilustrar a precariedade de equipamentos e recursos das Forças Armadas brasileiras e defender a necessidade de maiores investimentos no setor, argumentando que o país não teria condições de enfrentar uma potência militar como os Estados Unidos.
O Brasil destina aproximadamente 1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para a área da Defesa. O ministro considera este valor insuficiente, especialmente quando comparado a outras nações, dificultando investimentos de longo prazo em tecnologia e equipamentos.
A declaração do ministro projetou uma imagem de fragilidade que contrasta com discursos recentes do presidente Lula, que tem defendido o fortalecimento da soberania e a priorização da defesa nacional. No entanto, o Ministério da Defesa sofreu o maior volume de bloqueios orçamentários sob a gestão atual.
A declaração de José Múcio evidencia o debate sobre o baixo investimento na defesa nacional e a discrepância entre o discurso político de soberania e a realidade orçamentária das Forças Armadas. Ao admitir de forma contundente a incapacidade de resistência a uma grande potência, o ministro pressiona por mais recursos, expondo um desafio estratégico para o governo.
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