Advogados da ex-deputada citam 'vícios' no julgamento do STF, condições de presídios no Brasil e fragilidade de provas como base para a decisão da Justiça italiana.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 1 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A defesa da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) afirmou que a decisão da Justiça italiana de negar sua extradição ao Brasil se baseou em uma série de fatores, incluindo supostos 'vícios processuais' no julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a fragilidade das provas e as condições do sistema carcerário brasileiro.
Segundo os advogados que representam Zambelli, a Corte Suprema de Cassação, última instância da Justiça italiana, acatou os argumentos de que as condenações no Brasil foram desproporcionais e baseadas em "provas muito fracas". Conforme declarou o advogado Fabio Pagnozzi, a acusação se apoiou principalmente na palavra de um hacker, que a própria Polícia Federal teria classificado como "mentiroso".
O advogado italiano da ex-deputada, Pieremilio Sammarco, também apontou "contradições e omissões" na decisão da corte de apelação anterior, que havia sido favorável à extradição. Entre os pontos levantados estavam a falta de verificação sobre as condições do presídio no Brasil para onde ela seria enviada, conhecido como Colmeia, incluindo o tamanho das celas e a adequação dos serviços sanitários.
Nesta sexta-feira, a Corte Suprema de Cassação anulou a decisão de uma instância inferior e determinou a libertação imediata de Zambelli, que estava detida no complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma, desde julho de 2025. A ex-deputada já foi solta. O governo brasileiro, representado pela Advocacia-Geral da União (AGU), defendeu que o processo de extradição se baseia em argumentos técnicos e que o mérito do julgamento brasileiro não poderia ser refeito na Itália.
Carla Zambelli possui duas condenações que motivaram os pedidos de extradição. A primeira, de 10 anos de prisão, refere-se à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para emitir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. A segunda condenação, de cinco anos, é por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após ela perseguir um homem com uma arma em São Paulo às vésperas da eleição de 2022.
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