Mais de 251 mil animais silvestres passaram pelos centros do Ibama entre 2022 e 2025, vítimas do tráfico e da criação ilegal. Entenda o complexo processo.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Cerca de 251 mil animais silvestres passaram pelos Centros de Triagem e Reabilitação (Cetas) do Ibama entre 2022 e 2025, vítimas principalmente do tráfico e da criação ilegal como animais de estimação. Desse total, 134 mil conseguiram ser reabilitados e devolvidos à natureza, segundo dados divulgados pelo instituto. Atualizado em 10 de outubro de 2026.
O processo de reabilitação é complexo e pode levar até dois anos, exigindo um trabalho minucioso para que os animais reaprendam a viver em seu habitat natural, longe do contato humano.
Um exemplo emblemático desse desafio é o da onça Pam, um filhote resgatado em Altamira (PA), onde era criada como um animal de estimação. Segundo reportagem do Jornal Nacional, ela chegou ao Cetas de Brasília desnutrida e com perda de pelos. Agora, ela passa por um tratamento de isolamento para quebrar a associação entre humanos e comida ou proteção.
"Ela não pode estar andando na selva ou em uma floresta e escutar o som de uma voz humana e querer se aproximar, achando que vai receber alimentação", explica Júlio César Montanha, chefe do Cetas Brasília, em entrevista ao G1. O contato com pessoas é reduzido ao mínimo para que Pam possa, um dia, voltar à natureza.
Os Cetas são empreendimentos autorizados com a finalidade de receber, identificar, avaliar, recuperar, reabilitar e destinar animais silvestres. Conforme o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), os animais chegam aos centros por meio de ações de fiscalização, resgates ou entrega voluntária de particulares.
O objetivo principal é a soltura na área de ocorrência da espécie, mas nem sempre isso é possível. Animais com sequelas físicas ou comportamentais graves, decorrentes de longos períodos em cativeiro, podem ser destinados a zoológicos ou mantenedores autorizados.
De acordo com o Inea, os animais mais recebidos são as aves passeriformes, como trinca-ferros e canários-da-terra. Também são frequentes os psitacídeos (araras e maritacas), mamíferos como saguis e macacos-pregos, e répteis como jabutis e tigres-d’água.
Não. Muitos animais vítimas de acidentes, tráfico ou cativeiro prolongado apresentam grande dificuldade de adaptação à vida livre. O Inea informa que sequelas físicas ou comportamentais podem impossibilitar a soltura, sendo necessário encaminhá-los para outros locais adequados sob cuidados humanos.
O procedimento varia por região. Em Manaus, por exemplo, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) realiza o resgate de animais em risco ou feridos. É recomendado contatar o órgão ambiental local, como secretarias de meio ambiente ou a polícia ambiental, e nunca tentar manusear o animal por conta própria.
Os números do Ibama revelam a dimensão do problema do tráfico e da posse ilegal de animais silvestres no Brasil. O trabalho dos Cetas é fundamental não apenas para o resgate, mas para a complexa reabilitação que oferece a esses animais uma segunda chance de viver livremente em seu habitat natural.
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