Em 1992, 28.800 brinquedos caíram no Oceano Pacífico. Entenda como este acidente se tornou um experimento crucial para mapear correntes oceânicas e o plástico.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em 10 de janeiro de 1992, um acidente no Oceano Pacífico lançou 28.800 brinquedos de plástico ao mar, dando início a um dos mais importantes experimentos involuntários da oceanografia. Atualizado em 22 de junho de 2026, o caso dos "Friendly Floatees" continua a fornecer dados valiosos sobre as correntes oceânicas globais e a persistência do lixo plástico nos mares.
Durante uma forte tempestade no Pacífico Norte, o navio cargueiro Ever Laurel, que viajava de Hong Kong para os Estados Unidos, perdeu 12 contêineres. Um deles se rompeu, liberando sua carga: 28.800 brinquedos de banho conhecidos como "Friendly Floatees", fabricados na China para a empresa americana The First Years. A carga incluía patinhos amarelos, castores vermelhos, tartarugas azuis e sapos verdes, projetados para flutuar sem absorver água.
Os oceanógrafos Curtis Ebbesmeyer e James Ingraham, de Seattle, perceberam a oportunidade científica única. Ao contrário de estudos que lançam um número limitado de rastreadores, este evento liberou milhares de objetos do mesmo ponto e ao mesmo tempo. Ebbesmeyer organizou uma rede de voluntários em praias para registrar onde e quando os brinquedos eram encontrados, enquanto Ingraham usava o modelo computacional OSCURS para simular e prever as trajetórias das correntes de superfície. Cada brinquedo encontrado se tornou um ponto de dado para a ciência.
A jornada dos "Friendly Floatees" revelou a complexa dinâmica dos oceanos. Os primeiros brinquedos apareceram dez meses após o acidente, em novembro de 1992, na costa do Alasca, a cerca de 3.200 quilômetros do local original.
O rastreamento dos brinquedos trouxe descobertas significativas. Primeiramente, confirmou e refinou modelos computacionais sobre as correntes oceânicas, como o grande giro do Pacífico Norte, que se move no sentido horário. Além disso, a viagem pelo Ártico forneceu dados observacionais sobre a velocidade do derretimento do gelo marinho. O estudo também se tornou um símbolo da poluição plástica, demonstrando que objetos plásticos podem viajar por décadas e milhares de quilômetros, eventualmente se fragmentando em microplásticos, mas sem desaparecer.
Apenas alguns milhares dos 28.800 brinquedos originais foram oficialmente recuperados e registrados. Muitos outros podem ter encalhado em locais remotos ou se desintegrado no oceano.
Sim, exemplares ainda aparecem ocasionalmente em praias ao redor do mundo, mais de 30 anos depois. Desbotados pelo sol e pela água salgada, eles se tornaram itens de colecionador, com valor muito superior ao original.
A carga era composta por quatro tipos de brinquedos da linha "Friendly Floatees": patinhos amarelos, castores vermelhos, tartarugas azuis e sapos verdes. Curiosamente, os patos e castores desbotaram para branco, enquanto as tartarugas e sapos mantiveram suas cores originais por mais tempo.
A jornada dos 28.800 patinhos de plástico é mais do que uma história curiosa. Ela representa um marco na oceanografia cidadã e no estudo das correntes marinhas. O acidente transformou lixo plástico em uma ferramenta científica inesperada, deixando um legado duradouro sobre a interconexão dos oceanos e o impacto persistente da poluição plástica em nosso planeta.
Um pinguim-de-magalhães foi flagrado em uma praia de Maricá (RJ). Entenda por que o fenômeno é comum e saiba o que fazer ao encontrar um animal marinho.
A captura de 314 peixes-leões em outubro em Fernando de Noronha acende alerta. Entenda por que a espécie invasora ameaça a biodiversidade local e o que está sendo feito.
Após mais de uma década de cuidados no Amapá, o peixe-boi Victor Maracá e a fêmea Perpétua iniciam complexa viagem ao Pará. Entenda as etapas.
Operação da Patrulha Ambiental no Vale do Taquari resgatou dezenas de pássaros, incluindo azulões e cardeais. Um homem foi autuado por crime ambiental. Saiba mais.