A captura de 314 peixes-leões em outubro em Fernando de Noronha acende alerta. Entenda por que a espécie invasora ameaça a biodiversidade local e o que está sendo feito.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 5 de novembro de 2026. A captura de mais de 300 peixes-leões em apenas um mês em Fernando de Noronha revela a intensificação do combate a uma das espécies invasoras mais preocupantes da costa brasileira. Segundo dados confirmados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), 314 exemplares foram removidos em outubro, elevando o total para 391 desde agosto.
As operações de manejo, realizadas por mergulhadores profissionais, são cruciais para proteger o ecossistema único do arquipélago, que está sob ameaça direta do predador voraz.
O volume de capturas reflete tanto a eficiência das equipes de mergulho quanto a rápida proliferação da espécie. Em uma única operação no dia 28 de outubro, mergulhadores da empresa Sea Paradise capturaram 138 peixes-leões na região conhecida como Cabeço 47, a 47 metros de profundidade, conforme relatado por múltiplas fontes. No início do mesmo mês, outra ação já havia removido 312 indivíduos na área do porto.
Fernando Rodrigues, coordenador de uma das operações, destacou que, no passado, capturar de 30 a 40 peixes era considerado um número alto. Hoje, as equipes retiram em média de 100 a 150 por expedição, evidenciando a urgência do controle contínuo para evitar que a espécie domine o ambiente marinho local.
Nativo dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão (Pterois volitans) representa uma grave ameaça à biodiversidade marinha brasileira por uma combinação de fatores:
O primeiro registro oficial do peixe-leão no Brasil ocorreu em 2014, no litoral de Arraial do Cabo (RJ). No entanto, sua população começou a crescer exponencialmente a partir de 2020, quando foi avistado pela primeira vez em Fernando de Noronha. Desde então, a espécie tem se espalhado pela costa do Nordeste, com registros confirmados no Ceará, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Bahia, incluindo áreas de extrema importância ecológica como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.
Especialistas alertam que a chegada da espécie ao Sudeste pode gerar um "caos" ecológico, tornando as ações de controle e monitoramento ainda mais essenciais.
Sim. O peixe-leão possui 18 espinhos venenosos que, em contato com a pele, podem causar dor intensa, inchaço, vermelhidão, febre e, em casos mais graves, náuseas e convulsões. A recomendação é nunca tocar ou tentar manusear o animal.
Caso aviste um peixe-leão, não se aproxime. Informe imediatamente as autoridades ambientais, como o ICMBio, ou utilize canais oficiais como o SIMAF. Pescadores que capturarem a espécie acidentalmente não devem devolvê-la ao mar e precisam contatar os órgãos competentes.
A captura de mais de 300 peixes-leões em um mês em Fernando de Noronha é um marco importante, mas também um forte alerta sobre a gravidade da invasão. O esforço contínuo de mergulhadores e órgãos ambientais é fundamental para mitigar os danos à biodiversidade marinha, mas o avanço da espécie pela costa brasileira exige uma estratégia nacional de monitoramento e controle para proteger os ecossistemas marinhos.
Em 1992, 28.800 brinquedos caíram no Oceano Pacífico. Entenda como este acidente se tornou um experimento crucial para mapear correntes oceânicas e o plástico.
Um pinguim-de-magalhães foi flagrado em uma praia de Maricá (RJ). Entenda por que o fenômeno é comum e saiba o que fazer ao encontrar um animal marinho.
Após mais de uma década de cuidados no Amapá, o peixe-boi Victor Maracá e a fêmea Perpétua iniciam complexa viagem ao Pará. Entenda as etapas.
Operação da Patrulha Ambiental no Vale do Taquari resgatou dezenas de pássaros, incluindo azulões e cardeais. Um homem foi autuado por crime ambiental. Saiba mais.