Um novo estudo na Costa Rica mostra que arraias-mantas jovens se protegem de predadores em águas rasas, enquanto adultos migram por centenas de quilômetros. Entenda o comportamento e os riscos.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um estudo de sete anos na Costa Rica revelou por que as arraias-mantas gigantes (Mobula birostris) jovens permanecem perto da costa, enquanto os adultos se aventuram em migrações de centenas de quilômetros. Atualizado em 24 de outubro de 2026, a pesquisa mostra que os indivíduos imaturos usam águas costeiras rasas como refúgio para evitar grandes predadores, um comportamento que muda drasticamente na vida adulta.
Publicado na revista científica Frontiers in Fish Science, o levantamento monitorou 71 animais entre 2018 e 2025, combinando telemetria por satélite, transmissores acústicos e identificação fotográfica para mapear seus deslocamentos na América Central.
A principal razão para os jovens permanecerem em águas costeiras é a proteção contra predadores. Segundo Jeffry Madrigal-Mesén, autor principal do estudo e diretor do grupo Mantas Costa Rica, os indivíduos menores não se arriscam em longas migrações devido à ameaça de orcas e tubarões-tigre. O tamanho corporal atingido na fase adulta, que pode chegar a 4,5 metros de envergadura, funciona como um dos principais mecanismos de defesa da espécie.
Os pesquisadores observaram que os animais jovens monitorados, com envergadura entre 3 e 3,5 metros, permaneceram estritamente dentro da zona econômica exclusiva da Costa Rica. "É bastante comum ver animais sem partes do corpo e, em muitos casos, o formato dos ferimentos sugere fortemente que sejam mordidas de outros grandes predadores marinhos", afirmou Madrigal-Mesén em comunicado.
Em contraste com os jovens, as arraias-mantas adultas realizaram migrações transfronteiriças de longa distância. O rastreamento por satélite registrou indivíduos viajando ao longo da plataforma continental da América Central, com alguns chegando até as águas da Guatemala. Essas jornadas, no entanto, expõem os animais a novos perigos.
Assim que deixam as áreas marinhas protegidas, como a Ilha do Coco, as arraias entram em águas abertas desprotegidas, onde enfrentam riscos como a pesca industrial e colisões com embarcações. "Estudos como esse nos ajudam a reconhecer que esses refúgios costeiros só as protegem durante uma época específica do ano", destacou Madrigal-Mesén, defendendo a criação de corredores marinhos protegidos.
Para entender o comportamento da espécie, a equipe de pesquisa utilizou uma combinação de três tecnologias:
"Se não tivéssemos usado as três tecnologias juntas, simplesmente não conseguiríamos montar esse quebra-cabeça", explicou Madrigal-Mesén.
São áreas de recifes rochosos onde peixes menores removem parasitas da pele das arraias-mantas, em uma relação de simbiose. O estudo revelou que esses locais também funcionam como importantes centros sociais para alimentação, cortejo e acasalamento, aos quais as arraias demonstram alta fidelidade, retornando repetidamente.
A arraia-manta gigante é um dos maiores peixes do oceano. Um adulto pode atingir até 8 metros de envergadura e pesar até 2.000 quilos. A espécie leva de 8 a 10 anos para atingir a maturidade sexual, o que a torna particularmente vulnerável a ameaças.
Para os jovens, a principal ameaça são os predadores naturais, como orcas e grandes tubarões. Para os adultos em migração, os maiores riscos são humanos: a pesca industrial, que pode capturá-las acidentalmente, e o risco de colisão com o intenso tráfego de embarcações em águas internacionais desprotegidas.
A pesquisa na Costa Rica oferece um panorama detalhado e inédito sobre como o comportamento da arraia-manta gigante muda com a idade. A descoberta de que os jovens usam a costa como um "berçário" seguro reforça a importância das áreas de conservação costeiras, mas também expõe a vulnerabilidade dos adultos em mar aberto. Os resultados do estudo são um chamado urgente para a criação de corredores de conservação multinacionais que protejam esses gigantes marinhos ao longo de todo o seu ciclo de vida.
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