A história da baleia Sunset, resgatada após encalhar e que retornou anos depois com um filhote, inspira a conservação da espécie. Saiba mais sobre os desafios que as baleias-francas ainda enfrentam no litoral brasileiro.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A emocionante história de uma baleia-franca que, após ser resgatada de um encalhe em 2003 no litoral de Santa Catarina, retornou à costa brasileira em 2017 acompanhada de seu primeiro filhote, tornou-se um marco para a conservação marinha no país. O evento foi tão significativo que o dia de seu retorno, 31 de julho, inspirou a criação do Dia Nacional da Baleia Franca, segundo o Instituto Australis. Atualizado em 12 de agosto de 2026.
Em 2003, uma jovem baleia-franca de aproximadamente um ano encalhou na Lagoa Santa Marta, em Laguna (SC), após nadar 10 km rio adentro. Após um esforço de 30 horas envolvendo autoridades e a equipe do Projeto Baleia Franca, o animal foi rebocado com sucesso de volta ao mar. Quatorze anos depois, em 2017, a diretora de pesquisa do Instituto Australis, Karina Groch, confirmou por meio de foto-identificação que a mesma baleia, catalogada como B291, havia retornado à costa catarinense com um filhote. A baleia foi batizada de "Sunset" e seu filhote, "Laguna", em homenagem ao local do resgate, conforme divulgado pelo próprio instituto.
O retorno de Sunset é uma vitória para a conservação de uma espécie que permanece na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas no Brasil. As baleias-francas têm um ciclo reprodutivo lento, com as fêmeas gerando um filhote a cada três anos, em média, de acordo com o Projeto Baleia Franca. Embora a população apresente uma taxa de crescimento de 4,8% ao ano, a recuperação é um processo delicado e de longo prazo, como aponta a Agência Brasil. A presença desses animais, que vêm ao litoral brasileiro para procriar e amamentar, é um indicador da saúde do ecossistema marinho.
Apesar de histórias de sucesso como a de Sunset, as baleias-francas enfrentam perigos constantes, principalmente o emaranhamento em artefatos de pesca. Recentemente, foram registrados casos de animais com redes presas à cabeça no Rio de Janeiro e em Imbituba (SC). Nesses casos, o protocolo de especialistas é monitorar o animal, pois uma tentativa de remoção pode ser arriscada tanto para a equipe quanto para a baleia, que por sua força pode conseguir se soltar sozinha. O emaranhamento causa estresse e pode comprometer o deslocamento e a saúde do animal.
As baleias-francas são vistas principalmente no litoral centro-sul de Santa Catarina, na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, com destaque para os municípios de Garopaba e Imbituba. A temporada de avistamento ocorre entre julho e novembro, com pico em setembro, segundo a Agência Brasil.
Elas se alimentam de pequenos crustáceos, como o krill, em águas frias próximas à Antártida durante o verão. Durante a temporada reprodutiva no litoral brasileiro, os animais praticamente não se alimentam, dedicando-se à reprodução e ao cuidado com os filhotes, conforme informações do Projeto Baleia Franca.
Sim, a baleia-franca (Eubalaena australis) é oficialmente classificada como uma espécie "em perigo" de extinção na lista brasileira. Apesar da proibição da caça desde 1987 e de uma lenta recuperação populacional, a espécie ainda é considerada ameaçada devido a fatores como a poluição e os riscos de colisão e emaranhamento em redes de pesca.
A jornada da baleia Sunset, de um resgate dramático ao seu retorno como mãe, representa a resiliência da natureza e o impacto positivo das ações de conservação. No entanto, os contínuos incidentes de emaranhamento em redes de pesca demonstram que a proteção desses gigantes marinhos exige vigilância e esforços constantes para garantir que mais histórias como a de Sunset possam se repetir.
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