A população de baleias-jubarte no Brasil saltou de 1,5 mil para mais de 35 mil indivíduos. Entenda o papel da proibição da caça e os novos desafios.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A população de baleias-jubarte no Brasil registrou uma recuperação impressionante nas últimas três décadas, saltando de cerca de 1.500 indivíduos no início dos anos 1990 para mais de 35 mil, segundo a estimativa recorde de 2022. Atualizado em 2 de novembro de 2026. Esse crescimento, superior a 2.200%, é um marco para a conservação marinha e resultado direto de esforços contínuos, como os do Instituto Baleia Jubarte.
Durante séculos, desde o período colonial, as baleias-jubarte foram caçadas no Brasil, principalmente para a extração de óleo usado em iluminação. A prática levou a espécie à beira da extinção, até que a caça comercial foi proibida por lei em 1987. Apenas um ano depois, em 1988, pesquisadores que trabalhavam na implantação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, na Bahia, identificaram uma pequena população sobrevivente. Essa descoberta foi o estopim para a criação do Projeto Baleia Jubarte.
Fundado pelo fotógrafo Enrico Marcovaldi e pela bióloga Márcia Engel, o projeto se formalizou como instituto em 1996. Desde então, com o patrocínio principal da Petrobras, a organização monitora a espécie através de expedições científicas, sobrevoos e técnicas como a fotoidentificação, que usa os desenhos únicos na cauda de cada baleia como uma "impressão digital". Graças a esse trabalho, em 2014, a baleia-jubarte foi retirada da lista de animais ameaçados de extinção no Brasil.
Apesar da recuperação notável, a espécie não está livre de perigos. Segundo Eduardo Camargo, diretor-executivo do Instituto Baleia Jubarte, os principais desafios atuais são a poluição dos oceanos por microplásticos e as mudanças climáticas. O aquecimento das águas da Antártica pode afetar a disponibilidade do krill, um pequeno crustáceo que é a base da alimentação das jubartes, impactando todo o seu ciclo de vida.
O aumento expressivo deve-se principalmente à proibição da caça comercial em 1987, que cessou a principal ameaça à espécie. A partir daí, os esforços de monitoramento e conservação liderados por organizações como o Instituto Baleia Jubarte foram fundamentais para garantir a recuperação contínua da população.
Não. A espécie foi oficialmente retirada da lista brasileira de animais ameaçados de extinção em 2014, graças ao crescimento populacional. Contudo, agora enfrenta novas ameaças globais, como poluição e mudanças climáticas, que exigem vigilância constante.
O principal berçário das baleias-jubarte no Brasil é o arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia. Elas migram anualmente das áreas de alimentação na Antártica para as águas mais quentes do litoral brasileiro para acasalar e dar à luz seus filhotes.
O crescimento da população de baleias-jubarte é uma das maiores vitórias da conservação marinha no Brasil, demonstrando que ações coordenadas podem reverter quadros críticos. No entanto, a jornada para garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo continua, com a necessidade de combater os impactos da poluição e das mudanças climáticas nos oceanos.
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