O nascimento de dois filhotes de boto-cinza na Baía de Guanabara anima pesquisadores. Com a população estagnada em 30 animais, entenda os desafios e a importância.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O nascimento de pelo menos dois filhotes de boto-cinza em 2026 renovou a esperança pela sobrevivência da espécie na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Atualizado em 22 de junho de 2026. Os animais, um com cerca de seis meses e outro com no máximo dois, foram registrados por pesquisadores do Instituto Mar Urbano (IMU) e representam uma vitória para a conservação do mamífero, que é um dos símbolos da cidade.
Estudos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua) da Uerj apontam que a população de botos-cinza (Sotalia guianensis) está estagnada em aproximadamente 30 indivíduos há quase uma década. Conforme apurado pelo jornal Extra, o número representa um declínio drástico, já que na década de 1980 a população era estimada em 400 animais, caindo para 100 em 1992 e 40 em 2014.
Segundo o pesquisador do Maqua, Rafael Carvalho, o número de filhotes nascidos não tem compensado a mortalidade de adultos, tornando cada novo nascimento extremamente precioso para a continuidade da espécie na região.
Apesar da boa notícia, os botos-cinza ainda enfrentam sérios riscos na Baía de Guanabara. A espécie é considerada uma "sentinela" da saúde do ecossistema, e sua baixa população é um alerta.
Além da poluição da água, a poluição sonora é um dos principais problemas. De acordo com especialistas ouvidos pelo Diário do Rio, o ruído constante dos motores das centenas de barcos que circulam na baía desorienta os botos, que utilizam sons para se localizar e comunicar.
Outros fatores de risco incluem a captura acidental em redes de pesca e o intenso tráfego de embarcações. Por serem uma espécie residente, que passa toda a vida na baía onde nasce, os botos estão constantemente expostos a esses perigos, o que dificulta a sobrevivência dos filhotes até a fase adulta.
Apesar do cenário desafiador, o nascimento dos filhotes é visto como um sinal de que a vida persiste. "Os filhotes são esperança renovada para a nossa baía", afirmou o biólogo Ricardo Gomes, presidente do IMU, em entrevista. O evento coincide com melhorias ambientais, como a redução de cerca de 133 milhões de litros de esgoto lançados diariamente na baía após obras de saneamento, segundo dados do G1.
Atualmente, a população é estimada em cerca de 30 botos-cinza. Segundo estudos da Uerj, esse número está estagnado há quase dez anos, e o nascimento de novos filhotes não tem sido suficiente para compensar a mortalidade de adultos.
O boto-cinza é um símbolo do Rio, presente na bandeira e no brasão do município. Além disso, por estar no topo da cadeia alimentar, ele funciona como um bioindicador da saúde ambiental da Baía de Guanabara, indicando a presença de peixes e outros organismos.
As principais ameaças são a poluição da água, a poluição sonora causada por embarcações, que prejudica sua orientação, a captura acidental em redes de pesca e o risco de colisões com barcos.
O registro dos novos filhotes de boto-cinza na Baía de Guanabara é uma notícia animadora, mas também um alerta. A sobrevivência do símbolo do Rio de Janeiro depende de esforços contínuos de despoluição, fiscalização e conservação para garantir que a espécie possa, um dia, voltar a ser abundante em suas águas.
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