Há mais de quatro décadas, 28 burros selvagens foram soltos no deserto do Néguev. Veja como eles cavaram poços e espalharam sementes, salvando a região.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Há mais de 40 anos, 28 asnos selvagens soltos em uma das regiões mais áridas de Israel iniciaram uma transformação ecológica inesperada. Os animais, liberados na cratera de Ramón, no deserto do Néguev, tornaram-se verdadeiros engenheiros do ecossistema, criando oásis que hoje sustentam diversas espécies locais. Atualizado em 11 de setembro de 2026.
A população inicial de 28 asnos cresceu para cerca de 500 a 600 indivíduos em 44 anos, e seu impacto no ambiente foi profundo. De acordo com a Rádio Itatiaia, eles remodelaram a paisagem através de três comportamentos principais que, combinados, geraram um sistema de oásis naturais.
Durante os períodos de seca extrema, os asnos usam seus cascos para cavar buracos de até dois metros de profundidade, alcançando lençóis freáticos subterrâneos. Esses poços se tornam fontes de água vitais não apenas para eles, mas para toda a fauna local, incluindo zorros, gacelas e até morcegos, que dependem dessa rede hídrica improvisada para sobreviver.
A dieta dos asnos, baseada em plantas nativas como as vagens das acácias, os transforma em dispersores de sementes. Ao ingerir as sementes e depositá-las em seus excrementos enquanto se locomovem, eles ajudam a espalhar a vegetação por áreas onde o reflorestamento natural era impedido pela aridez, como detalhado pela Itatiaia.
O simples ato de caminhar repetidamente pelo terreno arenoso cria pequenas barreiras de terra compactada. Durante as chuvas esporádicas, essas formações funcionam como minirrepresas, retendo a água por mais tempo e permitindo que outras plantas germinem em condições que o solo virgem não ofereceria.
O fenômeno ocorre na cratera de Ramón, localizada no deserto do Néguev, uma das regiões mais áridas de Israel. A população de asnos está especialmente concentrada nesta área.
Não. Um estudo publicado na revista Science e divulgado pela National Geographic revelou que cavalos e burros selvagens no deserto de Sonora, nos Estados Unidos, também cavam poços. Essa atividade aumenta a disponibilidade de água em até 14 vezes e beneficia 57 outras espécies, funcionando como um exemplo clássico de "engenharia de ecossistema".
O ecossistema, antes considerado inóspito, ganhou resiliência. A criação de poços, a dispersão de sementes e a modificação do solo pelos asnos renovaram as condições de sobrevivência para dezenas de espécies, transformando uma paisagem estéril em um sistema de oásis funcionais.
A história dos 28 asnos selvagens no deserto do Néguev é um exemplo notável de como uma espécie pode remodelar positivamente seu ambiente. Através de comportamentos instintivos de sobrevivência, esses animais criaram uma rede de recursos hídricos e vegetais que revitalizou uma das regiões mais áridas de Israel, demonstrando o poder da engenharia natural na manutenção da biodiversidade.
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