Animal foi transportado por 251 km e recebeu cuidados 24h, mas não resistiu. Entenda o caso e os desafios na reabilitação de espécies de águas profundas.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A fêmea juvenil de cachalote-pigmeu, uma espécie rara de baleia, que foi resgatada em Balneário Gaivota, no Sul de Santa Catarina, morreu na manhã de quinta-feira (17) após dois dias e meio de tratamento intensivo. Atualizado em 19 de setembro de 2026.
O animal havia mobilizado uma complexa operação de resgate, sendo transportado por 251 quilômetros até Florianópolis para receber cuidados especializados da ONG R3 Animal. Apesar dos esforços, o quadro clínico piorou gradualmente, resultando no óbito.
A cachalote-pigmeu foi encontrada encalhada e com vida na segunda-feira (14) em Balneário Gaivota. Segundo a equipe da Educamar, que realizou o resgate, o animal estava desorientado e com lesões pelo corpo, mas ainda responsivo. Devido à necessidade de cuidados especializados, foi organizada uma transferência para o Centro de Reabilitação da R3 Animal, no Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis.
O transporte foi feito em uma UTI móvel e contou com escolta da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao longo da BR-101 para garantir agilidade e segurança, conforme relatado por Suelen Santos, presidente da Educamar. Ao chegar, a baleia, que media 1,80 metro e pesava 76,5 quilos, foi colocada em uma piscina de água salgada.
No centro de reabilitação, a cachalote recebeu monitoramento ininterrupto. Técnicos e voluntários se revezaram em plantões para auxiliar no nado e acompanhar sua frequência respiratória. O tratamento incluía:
Apesar de apresentar breves sinais de melhora, o quadro de saúde do animal se agravou durante a noite anterior à sua morte, conforme informado pela R3 Animal.
A morte da cachalote foi confirmada na manhã de quinta-feira (17). A R3 Animal destacou que a reabilitação de cetáceos de águas profundas é extremamente desafiadora, pois são animais muito sensíveis ao estresse. O conhecimento sobre as melhores técnicas de tratamento para essas espécies ainda é limitado.
Após o óbito, foi programada a realização de uma necropsia. O procedimento tem como objetivo investigar as possíveis causas da morte e coletar amostras biológicas que serão utilizadas em pesquisas científicas para a conservação da espécie.
O cachalote-pigmeu (Kogia breviceps) é um mamífero marinho da mesma subordem dos golfinhos, popularmente conhecido como "baleia com dentes". É uma espécie de pequeno porte, que habita águas profundas de oceanos tropicais e temperados, o que torna sua aparição na costa um evento raro. Quando se sente ameaçado, pode liberar um líquido castanho-avermelhado para confundir predadores.
A reabilitação de espécies oceânicas como o cachalote-pigmeu é considerada complexa porque são animais sensíveis ao estresse do cativeiro e do manuseio. Além disso, por viverem em águas profundas, há limitações no conhecimento científico sobre seus hábitos e as melhores práticas para tratamento em centros de reabilitação.
O resgate e a tentativa de reabilitação da cachalote-pigmeu em Santa Catarina representaram um esforço notável de diversas equipes. Embora o animal não tenha sobrevivido, o caso evidencia os desafios na conservação de espécies marinhas raras e a importância dos dados que serão coletados na necropsia para futuras pesquisas científicas.
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