Pedido de guarda definitiva do influenciador Agenor Tupinambá foi negado pela Justiça Federal do Amazonas; ele afirma que vai recorrer da decisão.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Justiça Federal do Amazonas determinou que o influenciador digital Agenor Tupinambá entregue a capivara Filó ao Ibama no prazo de 30 dias. A decisão, proferida pela juíza Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária, rejeitou o pedido de guarda definitiva do animal e revogou a autorização provisória que mantinha Filó com Agenor desde abril de 2023. Atualizado em 18 de outubro de 2026.
A sentença considerou que o vínculo afetivo entre Agenor e Filó não é suficiente para justificar a manutenção de um animal silvestre em ambiente doméstico, conforme noticiado pelo G1. A juíza argumentou que a legislação ambiental brasileira prioriza a reintegração de animais silvestres ao seu habitat natural. “Legalizar o ilícito não é fazer justiça”, afirmou a magistrada na decisão, segundo o portal Amazonas Atual.
A decisão também afastou o conceito de "família multiespécie", alegado pela defesa, por entender que ele se aplica a animais de companhia, e não à fauna silvestre. A juíza destacou que capivaras são animais sociais que precisam conviver com outros de sua espécie para desenvolver comportamentos naturais, algo que o isolamento em ambiente doméstico impede.
A magistrada apontou uma contradição nos argumentos de Agenor, que afirmava que Filó vivia livremente na natureza, mas, ao mesmo tempo, defendia a guarda por dependência de cuidados humanos. Conforme a análise judicial, comportamentos como dormir em sofás e procurar comida na geladeira, descritos nos laudos, evidenciam um processo de domesticação e não de liberdade, de acordo com o portal A Crítica.
Em suas redes sociais, Agenor Tupinambá confirmou que irá recorrer da sentença. “A gente não vai desistir dessa luta. Mais uma batalha que a gente vai enfrentar e vamos recorrer com todos os meios legais para lutar pela Filó”, declarou o influenciador, conforme repercutido pelo NC News. Ele também questionou se o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Manaus possui condições adequadas para receber a capivara.
Caso a ordem não seja cumprida voluntariamente no prazo, a Justiça autorizou a busca e apreensão do animal. Além da devolução, Agenor foi condenado a pagar as custas processuais e R$ 3 mil em honorários advocatícios.
Agenor Tupinambá tem 30 dias, a contar da data de sua intimação oficial, para entregar a capivara Filó ao Cetas do Ibama em Manaus, segundo a determinação judicial.
Após ser recebida pelo Ibama, Filó deverá passar por um programa de reabilitação. O objetivo é avaliar suas condições e a possibilidade de reintegrá-la ao habitat natural, preferencialmente em uma área de proteção ambiental na Amazônia, como detalhado pelo portal Rios de Notícias.
O caso ganhou notoriedade em abril de 2023, quando o Ibama fiscalizou a propriedade de Agenor em Autazes (AM) e o multou em R$ 17 mil por infrações como manter animais silvestres sem autorização e explorar sua imagem nas redes sociais. Na época, Filó foi entregue ao Ibama, mas uma decisão liminar garantiu seu retorno ao influenciador dias depois.
A decisão da Justiça Federal encerra, em primeira instância, a disputa pela guarda da capivara Filó, priorizando a legislação ambiental sobre o vínculo afetivo. O influenciador Agenor Tupinambá promete apelar, e os próximos passos do caso dependerão dos desdobramentos judiciais e das avaliações técnicas do Ibama sobre o futuro do animal.
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