Considerado extinto na natureza desde 1969, o cavalo-de-Przewalski volta a galopar nas estepes da Ásia. Entenda o projeto que reintroduziu a espécie no Cazaquistão.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Considerado extinto na natureza há mais de 50 anos, o cavalo-de-Przewalski (Equus ferus przewalskii), o último cavalo verdadeiramente selvagem do planeta, está protagonizando um retorno histórico às estepes da Ásia Central. Graças a um ambicioso programa internacional de conservação, a espécie está sendo reintroduzida em seu habitat natural, com um grupo recente chegando ao Cazaquistão após 200 anos de ausência na região.
Nativo das estepes da Mongólia e da China, o cavalo-de-Przewalski foi oficialmente declarado extinto na natureza em 1969, quando o último animal selvagem foi avistado. A caça, a perda de habitat e a competição com o gado levaram a população ao colapso, de acordo com a National Geographic. A sobrevivência da espécie dependeu de um pequeno grupo de cerca de 13 indivíduos mantidos em zoológicos e reservas ao redor do mundo, dos quais todos os cavalos atuais são descendentes.
O esforço para salvar a espécie começou a tomar forma com programas de reprodução em cativeiro. Em 1959, o Zoológico de Praga organizou um simpósio internacional para sua proteção, tornando-se uma peça central nos esforços de conservação. A partir dos anos 1990, os primeiros programas de reintrodução começaram na Mongólia e na China.
O capítulo mais recente desta saga de conservação ocorreu no Cazaquistão. Em uma operação complexa, sete cavalos-de-Przewalski, vindos de zoológicos de Praga e Berlim, foram transportados por mais de 3.200 km em um avião de carga militar até a Reserva Natural Estadual Altyn Dala. Este projeto, intitulado "Retorno dos Cavalos Selvagens", planeja introduzir cerca de 40 cavalos na região nos próximos cinco anos, com o objetivo de estabelecer uma população autossustentável.
Menor e mais robusto que o cavalo doméstico, o cavalo-de-Przewalski mede cerca de 2 metros de comprimento e pesa em média 300 kg. Sua pelagem é castanha parda, com uma crina negra e erecta. Geneticamente, ele se difere dos cavalos modernos, possuindo 33 pares de cromossomos, enquanto os cavalos domésticos têm 32. Sua organização social é baseada em haréns, com um macho dominante, várias fêmeas e suas crias.
Não. A espécie foi declarada "extinta na natureza" em 1969, o que significa que não havia mais indivíduos vivendo livremente em seu habitat. No entanto, sobreviveu em cativeiro e, graças aos programas de reintrodução, agora existem populações selvagens na Mongólia, China e, mais recentemente, no Cazaquistão.
As principais diferenças são genéticas, físicas e comportamentais. O cavalo-de-Przewalski possui um número diferente de cromossomos, é fisicamente mais baixo e robusto, e é a única subespécie de cavalo que nunca foi domesticada pelo homem, ao contrário de outras populações de cavalos selvagens, como os mustangs, que descendem de animais domésticos.
Atualmente, existem populações reintroduzidas vivendo em liberdade em parques nacionais e reservas na Mongólia, China e Cazaquistão. Também há uma população notável na Zona de Exclusão de Chernobyl, na Ucrânia, além de indivíduos em zoológicos e centros de conservação em todo o mundo.
O retorno do cavalo-de-Przewalski às estepes é um marco para a conservação global e um símbolo de esperança. O sucesso do projeto demonstra que, com esforço coordenado e dedicação científica, é possível reverter desaparecimentos que antes pareciam permanentes e restaurar o equilíbrio de ecossistemas históricos.
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