A dieta rica em krill dos pinguins-de-adélia tinge suas fezes de rosa, uma cor visível do espaço. Saiba como cientistas usam esse fenômeno para monitorar o ecossistema.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A coloração rosa no cocô dos pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) é resultado direto de sua alimentação, baseada principalmente em krill, pequenos crustáceos rosados. Esse fenômeno é tão intenso que as manchas podem ser vistas do espaço por satélites, transformando os dejetos das aves em uma ferramenta crucial para monitorar a saúde do ecossistema antártico. Atualizado em 28 de setembro de 2026.
A cor vibrante das fezes dos pinguins-de-adélia, conhecida como guano, vem de sua principal fonte de alimento: o krill. De acordo com a revista Superinteressante, esses crustáceos se alimentam de fitoplâncton, algas que contêm pigmentos chamados carotenoides, responsáveis por tons de amarelo, laranja e vermelho. Os pinguins consomem tanto krill que esses pigmentos acabam tingindo seus excrementos de rosa.
Em contrapartida, uma dieta baseada em peixes resulta em resíduos de cor cinzenta, conforme aponta o Australian Antarctic Program. Essa diferença de coloração permite que cientistas identifiquem mudanças na alimentação das colônias de forma remota.
As colônias de pinguins produzem uma quantidade tão grande de guano que as manchas rosadas no gelo são visíveis em imagens de satélite, como as do programa Landsat, da NASA. Essa observação remota é uma ferramenta poderosa para a ciência, pois permite acompanhar as mudanças na dieta das aves em escala continental e ao longo de décadas, algo que seria impossível com expedições em terra.
Estudos publicados na revista Current Biology revelaram uma tendência preocupante: a dieta dos pinguins está diretamente ligada à cobertura de gelo marinho. Em períodos com mais gelo, eles consomem mais peixes. Quando há menos gelo, a dieta passa a depender mais do krill. Essa mudança tem consequências diretas para a sobrevivência da espécie.
Por estarem no topo da cadeia alimentar, os pinguins-de-adélia funcionam como "espécies sentinelas". As alterações em sua dieta são um alerta sobre as perturbações causadas pelo aquecimento global na cadeia alimentar marinha da Antártida. O monitoramento contínuo faz parte do programa da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártica (CCAMLR), que visa a preservação das espécies e o controle da pesca na região.
A cor rosa vem da sua dieta rica em krill, pequenos crustáceos que se alimentam de algas com pigmentos avermelhados chamados carotenoides. Quando os pinguins comem krill, esses pigmentos colorem suas fezes.
Cientistas usam imagens de satélite para observar as grandes manchas rosadas de guano (cocô) que as colônias de pinguins deixam no gelo. A cor e o tamanho dessas manchas revelam informações sobre a dieta e o tamanho das populações.
Embora o krill seja uma fonte de alimento, uma dieta baseada em peixes é mais nutritiva e aumenta as chances de sobrevivência dos filhotes. A dependência crescente do krill, associada ao derretimento do gelo, é um sinal de estresse ambiental e pode levar ao declínio de colônias.
O cocô rosa dos pinguins-de-adélia é mais do que uma curiosidade; é um bioindicador vital. A cor, visível do espaço, oferece aos cientistas uma janela única para entender os impactos das mudanças climáticas na Antártida, revelando como o derretimento do gelo afeta a cadeia alimentar e a sobrevivência de uma das espécies mais icônicas do continente.
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