A decoada é um processo natural no Pantanal que reduz o oxigênio da água, causando a morte de peixes. Entenda como ocorre e se a ação humana agrava o problema.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A decoada é um fenômeno natural que ocorre anualmente no Pantanal, provocando a morte de milhares de peixes por asfixia devido à drástica redução de oxigênio na água. Atualizado em 22 de outubro de 2026.
O processo acontece quando, após o período de seca, as chuvas elevam o nível dos rios, que transbordam e inundam áreas de planície cobertas por vegetação. Essa matéria orgânica submersa entra em decomposição, um processo que consome o oxigênio dissolvido na água e libera dióxido de carbono, tornando o ambiente inóspito para a vida aquática, conforme explica o biólogo Diego Zoccal Garcia.
O ciclo hidrológico do Pantanal, com suas cheias e secas, é o gatilho para a decoada. Quando as águas dos rios, como o Miranda e o Paraguai, invadem a planície, a grande quantidade de plantas e folhas secas começa a se decompor.
Como resultado, peixes de diversas espécies, como pintado, dourado, cachara e arraias, são vistos agonizando na superfície em busca de ar, e muitos acabam morrendo.
Embora seja um processo natural, a intensidade da decoada pode ser agravada por ações humanas. O desmatamento e, principalmente, as queimadas que devastam o Pantanal aumentam a quantidade de matéria orgânica e cinzas que são carregadas para os rios durante as chuvas. Segundo especialistas, esse aporte extra de material intensifica o processo de decomposição e, consequentemente, o consumo de oxigênio na água. Isso torna a decoada mais severa e prolongada, aumentando a mortandade de peixes.
Não. Apesar da morte de peixes, a decoada faz parte da dinâmica natural do Pantanal. Os peixes mortos servem de alimento para diversas aves, répteis e mamíferos, entrando na cadeia alimentar do bioma. O fenômeno é parte do "pulso das cheias", fundamental para a biodiversidade local.
Espécies que vivem no fundo dos rios, como bagres, cascudos e tuviras, são geralmente as primeiras e mais afetadas. Isso ocorre porque o nível de oxigênio já é naturalmente mais baixo nessas áreas, e a decoada agrava essa condição rapidamente, segundo estudo do Imasul.
Não é possível impedir a ocorrência da decoada, pois ela é um processo natural e intrínseco ao ecossistema pantaneiro. No entanto, o controle do desmatamento e das queimadas pode ajudar a mitigar a sua intensidade e reduzir os danos à fauna aquática.
A decoada é um evento complexo e essencial para o ciclo de vida do Pantanal, mas sua intensificação recente, potencializada por queimadas e desmatamento, acende um alerta. A imagem de peixes gigantes lutando por ar evidencia a vulnerabilidade do ecossistema a desequilíbrios, reforçando a necessidade de ações de conservação para proteger um dos biomas mais ricos do planeta.
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