Uma iniciativa em Oklahoma, iniciada com a doação de 300 bisões, transformou uma área degradada. Veja como o rebanho de 2.700 animais restaura a biodiversidade.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em 1993, um ato de generosidade dos pecuaristas Kenneth e Dianna Adams deu início a um dos mais bem-sucedidos projetos de restauração ambiental da América do Norte: a doação de 300 bisões para a organização The Nature Conservancy. Atualizado em 18 de outubro de 2026, mais de três décadas depois, o rebanho na Reserva de Pradaria de Grama Alta Joseph H. Williams, em Oklahoma, já chega a 2.700 animais e é peça-chave na recuperação de um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta.
A história começou quando a The Nature Conservancy adquiriu terras do antigo Rancho Chapman-Barnard em 1989 para proteger um dos últimos trechos remanescentes da pradaria de grama alta, um ecossistema do qual resta menos de 4%, segundo a organização. A doação dos 300 bisões pelo casal Adams, em 1993, permitiu a reintrodução da espécie-chave que moldou essa paisagem por milênios. Hoje, a reserva abrange 39.650 acres (cerca de 16 mil hectares) e o rebanho, batizado de Christina Adams Bison Herd em homenagem à filha do casal, é um símbolo vivo da restauração ecológica.
O impacto dos bisões vai além do aumento populacional. Eles são considerados engenheiros do ecossistema por suas interações diretas com o ambiente, que promovem a biodiversidade e a saúde do solo. O manejo combina o pastoreio dos animais com queimadas controladas para simular os processos naturais que mantinham a pradaria saudável antes da agricultura extensiva.
Diferente do gado bovino, os bisões preferem se alimentar de gramíneas, deixando de lado muitas flores silvestres e outras plantas. Essa seletividade abre espaço e permite que mais luz chegue a espécies que antes eram sufocadas. Um estudo de longo prazo na Estação Biológica Konza Prairie, no Kansas, publicado na revista PNAS, quantificou esse efeito: áreas com bisões registraram um aumento de 103% na variedade de plantas nativas em escala local.
Ao rolarem no chão para se livrar de insetos, os bisões criam depressões rasas conhecidas como "wallows" ou chafurdadouros. Essas áreas acumulam água da chuva, formando micro-habitats úmidos para insetos e anfíbios. Além disso, suas fezes e urina devolvem nutrientes essenciais ao solo de forma dispersa, aumentando a fertilidade natural da pradaria.
O manejo da reserva utiliza queimadas prescritas em um sistema de mosaico. O fogo remove a biomassa seca e estimula o crescimento de brotos novos e nutritivos, que atraem os bisões. Ao se concentrarem nas áreas recém-queimadas, os animais permitem que outras partes da reserva descansem e se recuperem. Essa interação, chamada de piro-herbivoria, cria uma paisagem diversificada com vegetação em diferentes estágios de crescimento, beneficiando centenas de espécies de aves, insetos e mamíferos.
Os 300 bisões iniciais foram doados em 1993 pelos pecuaristas Kenneth e Dianna Adams à organização ambiental The Nature Conservancy.
O rebanho vive na Reserva de Pradaria de Grama Alta Joseph H. Williams (Joseph H. Williams Tallgrass Prairie Preserve), localizada perto de Pawhuska, em Oklahoma, EUA. É a maior área protegida remanescente desse tipo de pradaria no mundo.
O pastoreio seletivo dos bisões aumenta significativamente a diversidade de plantas nativas. Uma pesquisa no Kansas demonstrou que a presença dos animais mais que dobrou o número de espécies de plantas nativas em escala local, com um aumento de 103%.
O projeto em Oklahoma é uma prova de que a reintrodução de espécies nativas, aliada a um manejo científico e de longo prazo, pode reverter décadas de degradação ambiental. O que começou com um ato de generosidade e 300 animais se tornou um rebanho próspero de 2.700 bisões, que não apenas garantem sua própria sobrevivência, mas também restauram a complexidade e a resiliência de um dos ecossistemas mais ameaçados da Terra.
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